Um grupo de mães de crianças com deficiência e comorbidades no Acre tem utilizado as redes sociais como forma de apoio e também de mobilização por direitos. A iniciativa ganhou forma a partir de um grupo de WhatsApp e, mais recentemente, com a criação do perfil no Instagram “Mães que se acolhem”, onde são compartilhadas experiências, relatos e demandas relacionadas ao acesso à saúde e à inclusão social.

As integrantes do grupo são, em sua maioria, moradoras de Rio Branco e de outros municípios do estado: Foto/Reprodução
A proposta surgiu durante o mês dedicado às mães, mas rapidamente ultrapassou o caráter simbólico da data. Nas publicações, o foco recai sobre as dificuldades enfrentadas no cotidiano, como a demora para conseguir consultas com especialistas, a realização de exames, o acesso a medicamentos e a continuidade de terapias essenciais para o desenvolvimento das crianças.
As integrantes do grupo são, em sua maioria, moradoras de Rio Branco e de outros municípios do estado. Elas relatam uma rotina marcada por espera prolongada na rede pública, deslocamentos frequentes em busca de atendimento e o desgaste emocional provocado pela necessidade constante de garantir cuidados especializados.
Na apresentação do perfil, o coletivo resume seu propósito como um espaço de troca e acolhimento: “dar voz às vivências, compartilhar informações, acolher outras famílias e mostrar que nenhuma mãe está sozinha nessa caminhada”.
As postagens também trazem mensagens de mobilização, com frases como “nossos filhos, nossas pautas, nossa voz” e “luta por direitos”, chamando atenção para questões ligadas à acessibilidade e à garantia de dignidade.
Além do compartilhamento de experiências, as mães passaram a utilizar o espaço digital para marcar órgãos públicos e autoridades, reforçando cobranças por melhorias. Entre as principais reivindicações estão a ampliação de terapias, maior agilidade em consultas com especialistas, redução da burocracia nos atendimentos e mais suporte às famílias que convivem com a chamada realidade atípica.
Elas destacam ainda que muitas crianças dependem de acompanhamento contínuo com profissionais como neuropediatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, mas enfrentam dificuldades para manter a regularidade do tratamento na rede de saúde.
As idealizadoras explicam que a iniciativa não busca apenas expor problemas, mas também criar uma rede de apoio entre famílias que enfrentam desafios semelhantes no dia a dia.
“Criamos esse espaço para acolher outras famílias e mostrar que nenhuma mãe está sozinha”, reforça um dos trechos publicados no perfil.
O movimento acompanha uma discussão mais ampla que vem ganhando espaço no país sobre inclusão, acesso à saúde e políticas públicas voltadas às famílias atípicas, especialmente aquelas em que as mães assumem a maior parte da rotina de cuidados.
No Acre, muitas dessas mulheres também relatam impactos na vida profissional e financeira, já que precisam reduzir a jornada de trabalho ou até interromper atividades para acompanhar de perto o tratamento dos filhos.