‘Podslop’: programas gerados por IA inundam plataformas de streaming

A indústria de conteúdo em áudio enfrenta uma inundação sem precedentes de conteúdo automatizado, fenômeno apelidado de “podslop”. De acordo com dados recentes do Podcast Index, aproximadamente 4.243 dos 10.871 feeds criados em nove dias (cerca de 39%) foram provavelmente gerados por inteligência artificial (IA). 

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O volume colossal de produções levanta debates sobre a saturação das plataformas de streaming e a monetização de conteúdos sem curadoria humana.

O crescimento exponencial do setor é exemplificado por startups como a Inception Point AI. Em oito meses, a empresa saltou de uma produção de três mil episódios semanais para o controle de mais de dez mil programas ativos

Segundo Jeanine Wright, cofundadora da startup, a equipe publicou 877 programas num intervalo de 48 horas. Para Wright, as críticas da indústria tradicional refletem o medo diante do que ela considera ser o futuro inevitável da mídia. As informações são da Soundbite, newsletter da Bloomberg.

Monetização e falta de regras desafiam o mercado de podcasts

O avanço do “podslop” coloca grandes plataformas num impasse regulatório. 

Atualmente, a Apple Podcasts, por exemplo, exige que os criadores de conteúdo informem se parte do seu programa foi feito por IA. A plataforma proíbe conteúdos enganosos, evidentemente. 

Já o Spotify não possui diretrizes específicas para a tecnologia. O streaming apenas suas regras gerais contra conteúdos perigosos. Enquanto isso, programas automatizados geram lucros por meio de anúncios programáticos.

Programas gerados por IA geram lucros por meio de anúncios programáticos no Spotify – Imagem: PixieMe/Shutterstock

A Spreaker, que pertence à iHeartMedia, permite que programas gerados por IA participem de seu mercado de anúncios, pagando aos donos deles 60% da receita gerada

Em contrapartida, a concorrente RSS.com adota uma linha mais dura: a empresa suspende os anúncios se identificar que o programa é “slop”, termo definido pelo cofundador Alberto Betella como “conteúdo totalmente automatizado sem revisão humana”. 

Betella argumenta que permitir esse tipo de conteúdo fere a reputação do negócio e de todo o ecossistema de podcasts.

Enquanto gigantes como a Amazon já usam a tecnologia para criar “quasi-podcasts” que explicam produtos aos clientes, a definição do que é lixo digital continua subjetiva. 

O empreendedor Adam Levy, que usa IA para analisar processos judiciais e produzir episódios rapidamente, defende que a ferramenta viabiliza reportagens que seriam caras demais no modelo tradicional. 

No entanto, a indústria ainda tenta equilibrar a eficiência da IA com a manutenção da qualidade e da integridade jornalística.

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Pedro Spadoni