“Não saia daqui”: professora descreve contato com adolescente após tiros em escola

Ela contou que estava em atividade na sede do sindicato, localizada a cerca de 200 metros da escola, quando ouviu os tiros

Durante uma mobilização de profissionais da Educação, a professora da rede pública e secretária-geral do Sindicato dos Professores do Estado do Acre, Débora Profeta, relatou o contato que teve, ainda sem saber, com o adolescente responsável pelos disparos no Instituto São José.

Débora Profeta, relatou o contato que teve, ainda sem saber, com o adolescente responsável pelos disparos: Foto/Reprodução

Ela contou que estava em atividade na sede do sindicato, localizada a cerca de 200 metros da escola, quando ouviu os tiros. “Ontem eu estava trabalhando, o Sinpro-AC, que fica aqui no centro da cidade, basicamente de fundos com o Instituto São José. Nós estamos a 200 metros da escola e no momento dos disparos, ouvi os disparos, pensei que fosse na praça, ao lado da Biblioteca Pública, ou seja, que fosse em frente ao prédio. Me assustei, fiquei muito chocada, a minha primeira reação foi de ficar parada, em choque, mas quando os tiros pararam, me levantei pra tentar entender o que tava acontecendo, chegando na recepção, o portão tava aberto e a secretária já vinha da rua muito assustada, muito abalada, chorando”, disse.

Segundo Débora, a secretária havia saído para manobrar um veículo quando foi alertada por um jovem. “Foi quando um rapaz, um adolescente, passou avisando ‘não saia daqui, não vai pra lá, duas pessoas foram mortas’, e ela me mostrou o rapaz fardado, o rapaz, que depois nós fomos saber quem era aquele rapaz que havia falado com ela, que seria justamente que provocou a situação toda e ele estava a caminho da PM pra se entregar, sem saber que era ele”, relatou.

A professora destacou o impacto causado pela postura do adolescente. “Obviamente, ficamos sem compreender porque tanta tranquilidade e ele saindo daquela forma, mas muito estarrecidas. Tanto pela questão dos tiros, porque é como se estivesse na nossa frente, como pela frieza, quando descobrimos que aquela criança, porque é uma criança, 13 anos, vamos dizer assim, tinha sido o que tinha provocado toda a situação. Sinto-me triste, porque não só pela situação, mas porque as escolas estão paradas e nós vemos aqui um número reduzido de pessoas nesse ato público. Eu espero que pelo menos a educação se mobilize, desperte para esse momento, porque o problema não é de hoje, o problema já vem de décadas. É todo o sistema, é toda a sociedade, é toda a família, tudo desestruturado. Então é o momento da gente se posicionar”, afirmou Débora, que atua na rede pública desde 1992.

O ataque foi cometido por um estudante de 13 anos do Instituto São José, que efetuou disparos contra quatro pessoas — três funcionárias e uma aluna. As inspetoras Raquel Sales e Alzenir Pereira não resistiram aos ferimentos.

Após o ocorrido, o adolescente se apresentou no quartel-geral da Polícia Militar do Acre, localizado nas proximidades da escola.