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O narcotraficante Gerson Palermo, apontado como um dos principais líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), foi preso na manhã desta terça-feira (26) em território boliviano, na região de fronteira com o município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Palermo estava foragido do sistema penitenciário brasileiro desde abril de 2020 e acumula uma condenação penal unificada de 126 anos de reclusão.
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A confirmação da captura do megatraficante foi divulgada pela emissora CNN. De acordo com as autoridades de segurança envolvidas na operação internacional, o criminoso está sob custódia e as forças policiais bolivianas preparam os trâmites burocráticos para entregá-lo oficialmente à Polícia Federal (PF) em Mato Grosso do Sul.
No histórico de delitos de Palermo constam ações criminosas de grande porte e o envolvimento indireto na derrocada jurídica de um magistrado de segundo grau. No ano de 2017, ele foi o alvo central da Operação All In, deflagrada pela PF para desarticular rotas de tráfico de cocaína. No ano passado, seu nome voltou aos relatórios policiais sob a acusação de arquitetar o sequestro da própria filha. Contudo, suas ações remontam a décadas anteriores: na década de 1990, sua imagem estampava mais de 50 mil cartazes de “procura-se” espalhados pela PF em todo o país e, no dia 16 de agosto de 2000, liderou o sequestro de um Boeing da Vasp que havia decolado de Foz do Iguaçu (PR), obrigando o piloto a pousar em Porecatu (PR) para roubar R$ 5,5 milhões em malotes do Banco do Brasil.
O episódio que garantiu sua liberdade provisória ocorreu no dia 21 de abril de 2020, feriado nacional de Tiradentes. Durante o plantão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o desembargador Divoncir Schreiner Maran concedeu um habeas corpus permitindo que Palermo migrasse para o regime de prisão domiciliar, sob a alegação da defesa de que o detento tinha mais de 60 anos, sofria de diabetes e hipertensão, enquadrando-se no grupo de risco da pandemia de Covid-19.
A decisão liminar foi cassada apenas 24 horas depois, em 22 de abril, pelo relator oficial do processo, desembargador Jonas Hass Silva Júnior. Cont entanto, apenas oito horas após instalar o equipamento, o chefe do PCC rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu do radar das autoridades.
Investigações subsequentes da Polícia Federal apontaram indícios de venda de sentença e manipulação administrativa no gabinete do magistrado. Relatórios revelados em maio de 2024 pela ministra Maria Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), indicaram que a minuta da soltura de Palermo começou a ser redigida antes mesmo de o pedido de habeas corpus ser distribuído formalmente no sistema.
Mensagens interceptadas mostraram que uma assessora do gabinete alertou superiores sobre a fragilidade do pedido, que não continha laudos médicos, avisando que seria necessária uma “gambiarra” jurídica para fundamentar a soltura, configurando supressão de instância. Na ocasião, o desembargador Divoncir também apagou as mensagens de seu celular antes das perícias.
A Polícia Federal passou a seguir o fluxo financeiro da família do magistrado aposentado, suspeitando que os valores obtidos com a suposta venda da decisão judicial tenham sido ocultados por parentes. O advogado Vânio Maran, filho do desembargador, passou a ser investigado como operador do esquema após movimentar R$ 1,074 milhão em um intervalo de nove meses, montante incompatível com sua renda mensal declarada de R$ 7,6 mil à época. A PF apontou o uso de transações agropecuárias simuladas, conhecidas como “boi de papel”, para lavar o dinheiro — acusação que é negada pela defesa do investigado.
A esposa do magistrado, Viviane Alves Gomes de Paula, também foi incluída nos inquéritos por evolução patrimonial incompatível. Conforme novas interceptações telefônicas e detalhes expostos recentemente pelo programa Fantástico, da TV Globo, Viviane é suspeita de pagar em dinheiro vivo despesas de uma mansão de alto padrão orçada em R$ 2,1 milhões em um condomínio de luxo em Campo Grande.
Os diálogos indicam pagamentos em espécie de R$ 650 mil para móveis planejados e R$ 40 mil em ferragens, muitas vezes entregues no interior de veículos para evitar o rastreamento bancário e contornar as regras das empresas fornecedoras, que exigiam boletos ou Pix. Desde o início das operações de busca e apreensão, a defesa do desembargador Divoncir Schreiner Maran e de seus familiares nega categoricamente qualquer envolvimento no comércio de decisões judiciais ou em atos de lavagem de dinheiro.
Conteúdo Original / Fonte: Fhagner Soares, ContilNet
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Conteúdo reproduzido originalmente em: ContilNet por Fhagner Soares, ContilNet

