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Está muito calor? Muito frio? A tendência é piorar, alerta ONU

As temperaturas médias globais devem continuar em níveis recordes ou próximos deles nos próximos cinco anos. É o que aponta um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), vinculada à ONU, publicado nesta quinta-feira (28).

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O estudo projeta que o aquecimento global persistirá em patamares elevados devido à queima contínua de carvão, óleo e gás, com anomalias de temperatura na região do Ártico superando significativamente a média do restante do planeta.

Segundo o documento, preparado com a colaboração de 13 institutos internacionais, existe uma probabilidade de 86% de que pelo menos um ano desse período supere 2024 como o mais quente já registrado

Além disso, os cientistas calculam uma chance de 91% de que a temperatura média global da superfície exceda temporariamente o limite de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais em pelo menos um ano entre 2026 e 2030.

Influência do El Niño e derretimento acelerado no Ártico ameaçam o clima global

As projeções meteorológicas indicam uma tendência para a manifestação do fenômeno El Niño na região central do Pacífico tropical. Esse aquecimento natural de partes do oceano altera o clima em escala mundial e impulsiona diretamente a elevação das temperaturas atmosféricas. 

“Há um El Niño previsto para o final de 2026, o que aumenta as chances de o ano seguinte, 2027, ser o próximo ano a quebrar recordes”, afirmou o dr. Leon Hermanson, autor principal do relatório.

Embora o Acordo de Paris estabeleça a meta de longo prazo de manter o aquecimento em até 1,5°C avaliada em uma média de 20 anos, ultrapassagens temporárias anuais servem de alerta para a aceleração do aquecimento global. 

“Um ano inteiro ou mais acima da marca de 1,5 grau significa toda uma gama de eventos climáticos extremos”, alerta especialista – Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

Caso a média do quinquênio de 2026 a 2030 ultrapasse essa marca (cenário com 75% de probabilidade de ocorrer, diga-se), ficará evidenciado que a Terra aqueceu um quarto de grau Celsius em uma década, ritmo superior aos dois décimos de grau observados anteriormente. 

“É importante notar que [1,5] não é uma espécie de penhasco do qual vamos cair [de uma vez]. Cada décimo de grau tem um impacto cada vez mais severo”, explicou Melissa Seabrook, cientista climática do Met Office do Reino Unido e coautora do relatório, ao site Phys.org.

O impacto prático dessa elevação contínua reflete-se no aumento de riscos ambientais e na perda de ecossistemas que não suportam a pressão térmica, como corais e geleiras. 

“Um ano inteiro ou mais acima da marca de 1,5 grau significa toda uma gama de eventos climáticos extremos, provavelmente muitos tão quentes/úmidos/secos que superam tudo o que experimentamos no passado e, portanto, fundamentalmente, tudo o que o nosso planejamento urbano, agricultura, etc. anteciparam”, alerta Friederike Otto, cientista climática do Imperial College de Londres, ao portal. 

“Isso significará que muitas pessoas perderão suas vidas, enfrentaremos muitos choques nos preços dos alimentos e incêndios florestais mais intensos”, acrescentou Otto.

A situação no Ártico revela um ciclo de aquecimento 3,5 vezes mais rápido do que a média global, impulsionado pela redução da cobertura de gelo e neve que deixa de refletir a radiação solar de volta ao espaço. 

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A situação no Ártico revela um ciclo de aquecimento 3,5 vezes mais rápido do que a média global – Imagem: demamiel62/Shutterstock

Modelos computacionais mostram que as próximas cinco temporadas de inverno na região serão 2,8°C mais quentes do que a média registrada entre 1991 e 2020. Esse derretimento contínuo deve reduzir ainda mais a concentração de gelo marinho nos mares de Barents, Bering e Okhotsk ao longo dos próximos anos.

Em termos de precipitação regional, os modelos indicam que o período de maio a setembro trará condições anormalmente secas para a bacia amazônica, o que eleva o risco de secas severas e incêndios florestais na floresta tropical. 

Essa mudança climática ameaça transformar a Amazônia num sorvedouro de carbono. E isso piora o problema das emissões de gases do efeito estufa. Enquanto isso, áreas como o Sahel africano, o norte da Europa, o Alasca e a Sibéria devem registrar excesso de chuvas. 

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“Apesar do progresso dos últimos anos, está claro que o aquecimento global ainda está superando os esforços globais para contê-lo. E as temperaturas escaldantes na Europa, na Índia e em outros lugares mostram mais uma vez os impactos humanos e econômicos brutais de a humanidade ainda queimar quantidades colossais de carvão, óleo e gás”, disse Simon Stiell, chefe de clima da ONU.

“Seja calor extremo, megatempestades, inundações, incêndios florestais massivos ou secas que atingem o abastecimento e os preços dos alimentos, cada nação já está pagando um preço enorme por esta crise climática global”, acrescentou Stiell.

(Essa matéria também usou informações da Organização Meteorológica Mundial.)

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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Tags:
calor
mudanças climáticas
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Pedro Spadoni

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