Brasil 70: elenco revela como recriou lances históricos sem usar dublês

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SigaGoogle DiscoverAlexandre Schneider/ Netflix1 de 1 Nova série da Netflix, Brasil 70 – A Saga do Tri, retrata a seleção brasileira rumo ao tricampeonato mundial de futebol, em 1970, no México – Metrópoles
– Foto: Alexandre Schneider/ Netflix

Quem assistiu à Copa do Mundo de 1970 — ou já viu os lances históricos da seleção brasileira no torneio — pode se surpreender com o nível de fidelidade de Brasil 70 – A Saga do Tri, nova minissérie da Netflix que recria a campanha da seleção brasileira até a conquista do tricampeonato mundial.

O cuidado com os detalhes vai além dos figurinos e da ambientação. As jogadas mais famosas da campanha foram reproduzidas pelos próprios atores, sem o uso de dublês. Em conversa com o Metrópoles, o elenco contou como foi o processo de preparação para reviver momentos eternizados na memória dos brasileiros. Assista:

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Lucas Agrícola, intérprete de Pelé, afirmou que a equipe tinha como principal objetivo honrar o legado dos jogadores retratados na série. “Tinha uma preocupação de toda a equipe, de todos os jogadores, de todo o elenco, de fazer o mais real possível, pra não ficar uma coisa fake, porque esses caras [a seleção brasileira de 1970] não merecem menos que isso”, afirmou.

Segundo o ator, as gravações exigiram muito esforço físico e repetição, mas o resultado final compensou o trabalho. Para ele, dar vida ao Rei do Futebol representa a realização de um sonho. “Foi feito com muito carinho, muito empenho e muito respeito ao nosso rei. Acredito que, onde ele estiver, ele está feliz com o resultado”, falou.

Entre os momentos recriados na produção está uma das comemorações mais icônicas daquela Copa: a de Jairzinho, que se ajoelhava e fazia o sinal da cruz após marcar. A cena ficou a cargo de Gui Ferraz, que revelou ter se emocionado ao gravá-la.

“Quando eu estava estudando as jogadas, eu olhava e falava: ‘cara, como é que deve ser essa sensação de fazer um gol nesse momento tão decisivo, para o jogador chegar, se ajoelhar e agradecer a Deus?’ Aí, no dia que a gente foi fazer essa cena, eu realmente chorei de verdade e foi muito lindo”, contou.

O impacto do momento foi tão grande que, segundo Ferraz, integrantes da equipe interromperam o que estavam fazendo para acompanhar a gravação. Mesmo sem ter assistido à série completa, ele acredita que aquela tenha sido uma das cenas mais bonitas de toda a produção.

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Quem assistiu à Copa do Mundo de 1970 ou às jogadas marcantes do campeonato mundial, vai ficar impressionado com a autenticidade das cenas de Brasil 70 – A Saga do Tri, a nova minissérie da Netflix que retrata a campanha da seleção brasileira da época ao tricampeonato

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O Metrópoles conversou com o elenco sobre como foi a preparação para imitar as jogadas – que foram realizadas sem o uso de dûbles – e sobre como eles se sentiram por representar cenas que estão inseridas no imaginário do povo brasileiro há tantos anos

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Lucas Agrícola, que interpreta ninguém menos que o Rei Pelé na série, ressaltou que as jogadas foram gravadas, acima de tudo, com muito respeito e dedicação

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Um dos símbolos mais marcantes da Copa de 70 fica com a comemoração feita por Jairzinho, na qual ele ajoelha e faz o sinal da cruz

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Ravel Andrade, que interpreta Tostão em Brasil 70, revelou ao Metrópoles que, o que o elenco menos fez durante a gravação da série foi jogar futebol

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O “goleiro do Tri”, Félix, é vivido por Hugo Haddad, que chegou até a procurar a família do jogador para entender melhor o personagem que iria interpretar

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Além da veracidade nas jogadas e nas caracterizações dos personagens, outro ponto que chama atenção na série são as superstições de Zagallo, interpretado por Bruno Mazzeo

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Além de acompanhar a campanha da seleção brasileira rumo ao tricampeonato mundial, a série Brasil 70 – A Saga do Tri também traz à tona o período político no qual o país se encontrava naquela época: a ditadura militar

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Para um dos diretores, Paulo Morelli, não tinha como não retratar isso pois era o plano de fundo que o Brasil vivia na ocasião. Ele destacou, inclusive, o personagem de João Saldanha, interpretado, na produção, por Rodrigo Santoro

Alexandre Schneider/ Netflix

Ravel Andrade, intérprete de Tostão em Brasil 70, revelou ao Metrópoles que o elenco passou muito mais tempo ensaiando do que jogando futebol durante as gravações da série.

“A gente ficou dois meses ensaiando cada jogada, coreografando tudo. Era um trabalho muito difícil, muito árduo […] A gente tinha que repetir as jogadas 50 vezes. Era exaustivo. A gente ficava metade do dia em uma jogada, metade do dia em outra jogada. Então, por isso que tem esse nível de veracidade e de sincronicidade com a realidade”, explicou.

O ator destacou uma jogada histórica da Copa de 1970 em que Tostão dribla três jogadores da Inglaterra. Um dos desafios era reproduzir até mesmo um detalhe que aconteceu por acaso no lance original.

“Ele toca por baixo da perna, passa por baixo da perna de um e, no vídeo original, a bola resbala na perna do cara. E a gente falou: ‘cara, como é que a gente vai conseguir reproduzir um erro?’”, contou. Apesar da complexidade da cena, o elenco conseguiu recriar o lance com precisão (saiba como no vídeo acima).

Já o “goleiro do Tri”, Félix, é interpretado por Hugo Haddad, que chegou a procurar familiares do ex-jogador para conhecer melhor sua trajetória. Foi ele quem revelou à reportagem que a produção chegou a contar com dublês para as cenas em campo, mas eles acabaram não sendo necessários.

“Foram muitos meses de preparação e de ensaio. Foi como se fosse um filme de ação, mas a ação não era soco ou tiro, era jogada de futebol. A gente tratou cada jogada com muito carinho. Eles queriam que ficasse perfeito, que a bola fosse no lugar perfeito, que a nossa reação fosse perfeita. Tínhamos dublês, mas não precisamos usar porque a gente se dedicou bastante na preparação”, falou.

Na série, Félix também carrega a pressão típica da posição. Segundo Hugo, o goleiro costuma ser um dos jogadores mais solitários dentro de uma equipe. “Eu aproveitava aquele sentimento no campo de não poder errar e tentava trazer isso pro drama também”.

Além da fidelidade nas jogadas e na caracterização dos personagens, outro aspecto que chama atenção em Brasil 70 são as superstições de Zagallo, vivido por Bruno Mazzeo. O ator contou que buscou equilibrar a imagem já conhecida do técnico com a versão mais jovem do treinador que assumiu a seleção às vésperas da Copa do Mundo de 1970.

“A gente pegou esse Zagallo que a gente conhece e falou: ‘o desafio agora é imaginar como ele seria’. Isso foi maravilhoso pra mim como ator, poder pegar esse personagem – é a primeira vez que eu faço um personagem real – e imaginar como seria ele no seu início. Então, ele tinha que ter a ver com esse Zagallo que a gente conhece”, refletiu Mazzeo, acrescentando que nem sabe se o técnico era tão supersticioso assim.

Enredo de Brasil 70 traz ditadura à tona

Além de acompanhar a campanha da seleção brasileira rumo ao tricampeonato mundial, a série Brasil 70 – A Saga do Tri também traz à tona o período político no qual o país se encontrava naquela época: a ditadura militar. Para um dos diretores, Paulo Morelli, não tinha como não retratar isso pois era o plano de fundo que o Brasil vivia na ocasião. Ele destacou, inclusive, o personagem de João Saldanha, interpretado, na produção, por Rodrigo Santoro.

“O João Saldanha é um personagem que traz isso naturalmente para a história, porque ele era uma pessoa de esquerda, do Partido Comunista, que era contra a ditadura, e manifesta isso o tempo inteiro, e isso traz naturalmente essa questão para dentro da história”, explicou.

Morelli ressaltou que o futebol era, é e sempre vai ser apropriado pelos poderosos, por ser uma grande força que mobiliza as pessoas. “Os militares fizeram isso e usaram a imagem do Pelé para motivar o povo a ficar do lado da ditadura“, acrescentou.

Os criadores da série Naná Xavier e Rafael Dornellas concordam que não havia como contar a história da Copa de 1970 sem retratar o contexto sóciopolítico do Brasil. “Acho que a série, como um todo, discute um pouco a força do futebol enquanto algo que influencia várias esferas da vida brasileira. E a ditadura atuou ali de alguma forma nos bastidores desse grupo”, avaliaram.

Marcelo Adnet, intérprete do narrador Eusébio Teixeira, destacou uma cena emocionante gravada ao lado de Santoro. Ao Metrópoles, o comediante revelou que, para ele, o futebol é mais do que só um jogo.

Marcelo Adnet, que, no seriado, vive o narrador Eusébio Teixeira, destacou uma cena emocionante gravada ao lado de Santoro
“Para mim, futebol é um traço cultural. E, para muita gente no mundo, isso aqui é uma arena, é um teatro, é um grande coliseu. Então é um lugar que é cultura, futebol é, em algum lugar, arte também. O jogo é um detalhe. O jogo é um pretexto pra acontecer um movimento cultural, um gesto político – quando eu falo político, não é partidário. É político no sentido maior”, afirmou.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Metrópoles