Ferramentas de inteligência artificial já conseguem traduzir conversas em tempo real, dublar vídeos automaticamente e converter textos em dezenas de idiomas quase instantaneamente. Empresas como OpenAI, Google e Meta aceleraram uma transformação que parece tornar o aprendizado de línguas menos necessário. Afinal, se a IA traduz tudo, por que dedicar anos ao estudo de outro idioma?
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A resposta envolve muito mais do que comunicação prática. Pesquisadores argumentam que aprender idiomas continua exercendo um papel importante no funcionamento cognitivo, na memória e até na forma como interpretamos culturas diferentes. Embora a IA facilite tarefas do dia a dia, ela não substitui completamente o processo mental e social envolvido na aprendizagem linguística, segundo informações do portal Phys.org.
Para quem tem pressa:
O multilinguismo não melhora todas as funções cognitivas igualmente;
Benefícios apareceram principalmente na memória visuoespacial;
Os efeitos foram mais evidentes em idosos;
O uso frequente de diferentes idiomas parece gerar ganhos acumulativos;
Tradutores automáticos não reproduzem esse mesmo estímulo cognitivo.
O esforço cognitivo continua sendo importante
Especialistas em psicologia cognitiva usam o termo “dificuldades desejáveis” para descrever atividades mentalmente exigentes que fortalecem o aprendizado no longo prazo. Aprender um idioma se encaixa exatamente nesse conceito. Construir frases, lembrar palavras e interpretar significados ativa redes neurais ligadas à memória, atenção e flexibilidade cognitiva.
Aprender uma nova língua ativa áreas ligadas à memória, atenção e flexibilidade cognitiva, funcionando como exercício mental contínuo. Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital) – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Pesquisadores destacam que o uso contínuo de múltiplos idiomas pode ajudar na chamada “resiliência cognitiva”, capacidade do cérebro de manter funções mentais durante o envelhecimento. O cérebro precisa alternar contextos, resolver conflitos linguísticos e adaptar respostas constantemente, criando um tipo de exercício mental difícil de reproduzir apenas com tradutores automáticos.
Um estudo recente com 94 adultos entre 18 e 83 anos analisou tarefas ligadas à memória de trabalho, atenção e inibição cognitiva. Os resultados mostraram que pessoas com experiências multilíngues mais ricas apresentaram desempenho superior em memória visuoespacial, especialmente entre participantes mais velhos.
IA traduz palavras, mas não experiências culturais
Os sistemas atuais de tradução funcionam principalmente por reconhecimento de padrões. Eles conseguem entregar respostas rápidas e eficientes, mas ainda enfrentam dificuldades com humor, contexto cultural, emoção e nuances sociais da linguagem.
Especialistas destacam que tradutores automáticos convertem palavras, mas não reproduzem nuances culturais, emocionais e sociais da linguagem. (ChatGPT / Olhar Digital)
Os pesquisadores ressaltam que traduzir não é o mesmo que participar de uma cultura. Aprender um idioma envolve compreender referências históricas, formas de pensar e maneiras específicas de expressar emoções. Esse processo cria uma relação mais profunda com outras sociedades e também com a própria identidade do falante.
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Participantes multilíngues do estudo descreveram experiências pessoais que ilustram isso. Alguns afirmaram pensar em um idioma, contar números em outro e usar uma terceira língua para expressar emoções intensas. Para os pesquisadores, essas mudanças mostram que diferentes idiomas podem representar diferentes formas de percepção e expressão.
Matheus Labourdette
Matheus Labourdette é redator no Olhar Digital.
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Layse Ventura
Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Matheus Labourdette

