
A política do Acre amanheceu antes do sol. Hoje, logo cedo, depois das minhas orações e preparar o café, fui fazer o que jornalista faz por ofício e por vício: correr atrás da notícia. E a primeira imagem do dia já dizia muito sobre o que vem por aí.
Ainda estava escuro quando apareceu nas redes o ex-prefeito Tião Bocalom, ao lado da esposa, a advogada Kelen, embarcando rumo ao Juruá. Campanha na veia, estrada no corpo e voto na cabeça.
Horas depois, outra cena: Bocalom já estava em Sena Madureira, ao lado do ex-prefeito Normando Sales, liderança que pode até andar mais silenciosa, mas continua tendo peso eleitoral onde realmente importa, na ponta, no interior, no ouvido do eleitor.
Enquanto muitos ainda estavam espreguiçando, o velho lobo da política já tinha cruzado quilômetros e entrado em campo.
E é justamente aí que mora o perigo para os adversários.
Lembrei de uma conversa que tive há algum tempo com meu amigo Narciso. Ele me contou que, em um papo com o ex-governador Tião Viana, ouviu uma frase que deveria estar emoldurada no comitê de qualquer candidato que pretenda enfrentar Bocalom.
Segundo ele, Tião teria dito:
“Eu era governador, tinha a máquina, tinha o apoio do governo federal, tinha estrutura, e ele quase me ganhou só com a sola do sapato. Esse homem é um perigo.”
Pois é.
Não se trata apenas de uma frase de efeito. Trata-se de um retrato político.
Bocalom tem aquilo que muita gente no poder perde com o tempo: fome de voto.
Ele não tem medo da estrada, não foge do corpo a corpo, não se esconde atrás de assessoria, nem espera a campanha cair no colo.
Vai atrás.
E isso, em política, vale ouro.
Tem muita gente olhando para ele com um certo ar de superioridade, como se a idade fosse sinônimo de desgaste.
Grande erro.
A política não perdoa quem confunde experiência com fraqueza.
Esse “velinho”, como muitos insistem em dizer, as vezes em tom de deboche, já mostrou que sabe transformar simplicidade em narrativa popular, presença em voto e persistência em crescimento eleitoral.
Deixou a Prefeitura de Rio Branco no meio do caminho para correr atrás do sonho maior: o Palácio Rio Branco.
É uma aposta muito alta.
Mas quem conhece Bocalom sabe que ele nunca foi homem de disputar jogo pequeno.
E mais: saiu de uma gestão sem escândalos que tenham abalado sua imagem popular. Pelo contrário, deixou marcas visíveis na capital, obras na Chico Mendes, os primeiros viadutos, creches, o novo Elias Mansour e uma série de intervenções que mudaram a paisagem urbana.
Os adversários sabem disso.
Por trás de muitos discursos tranquilos, existe preocupação real.
Porque quando um candidato acorda cedo, pega estrada, mobiliza interior e ainda carrega uma imagem de gestor que entregou obras, a disputa muda de patamar.
Tem gente achando que Bocalom entrou só para compor cenário.
Ledo engano.
Ele entrou para brigar.
E, sinceramente, quem estiver subestimando sua disposição pode acabar tendo uma noite muito longa na apuração.
Anotem.
Esse velinho vai sacudir a eleição de 2026, e dar muita dor de cabeça aos seus adversários.