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Terra possui ‘pluma fantasma’ tão poderosa que deforma fisicamente as camadas internas do planeta

Cientistas descobriram uma “pluma fantasma” escondida sob os desertos orientais de Omã, um fenômeno geológico tão poderoso que está deformando fisicamente as camadas internas da Terra. Diferente das plumas tradicionais que geram vulcanismo na superfície, esta permanece oculta, aquecendo e suavizando rochas sem conseguir perfurar a espessa crosta continental.

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A descoberta, liderada por Simone Pilia da Universidade King Fahd de Petróleo e Minerais, representa o primeiro registro de uma pluma do manto sem evidências de atividade vulcânica na superfície. Batizada de pluma Dani em homenagem ao filho do pesquisador, a estrutura foi mapeada até uma profundidade de pelo menos 660 quilômetros.

Vulcão (Imagem: Wirestock Creators / Shutterstock)

Detecção revolucionária através de ondas sísmicas

A equipe utilizou tomografia sísmica – equivalente a uma tomografia computadorizada para o planeta – analisando milhares de sinais de terremotos. As ondas sísmicas revelaram uma redução de velocidade dentro de um cilindro de aproximadamente 200 quilômetros de largura, indicando temperaturas entre 93°C e 260°C acima do normal.

“Quanto mais reuníamos evidências, mais nos convencíamos de que se tratava de uma pluma”, afirmou Pilia, ao Earth.com. Verificações independentes confirmaram que a zona de transição do manto está deformada para baixo a 410 quilômetros de profundidade e se eleva novamente a 660 quilômetros, criando uma assinatura térmica característica de material ascendente.

Elevação misteriosa sem vulcanismo

Apesar da ausência de lava, a região apresenta evidências claras na superfície. O planalto Salma, no leste de Omã, atinge surpreendentes 1.980 metros de altitude sem sinais de encurtamento crustal significativo. Estudos de GPS mostram que a costa continua subindo cerca de 0,1 centímetros por ano.

Saskia Goes do Imperial College London, que não participou do estudo, considerou a detecção “plausível”, observando que colunas estreitas são extremamente difíceis de visualizar através de métodos sísmicos tradicionais.

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Impacto na deriva continental histórica

Reconstruções geológicas sugerem que a pluma Dani deslizou sob a Placa Indiana há aproximadamente 40 milhões de anos, coincidindo com uma mudança sutil na trajetória da Índia para leste. Cálculos da equipe indicam que uma estrutura de 201 quilômetros de largura, movimentando alguns quilômetros cúbicos de rocha quente anualmente, poderia gerar força suficiente para influenciar o movimento continental.

Se uma única pluma não-vulcânica consegue direcionar continentes, múltiplas estruturas similares podem ter moldado silenciosamente os movimentos das placas tectônicas ao longo da história terrestre.

(Imagem: agpotterphoto/Shutterstock)

Conexões com superplumas globais

Os novos achados sugerem que a pluma Dani pode compartilhar origens com a pluma Afar, localizada sob o Chifre da África. Imagens do modelo de tomografia global DETOX-P3 revelam que ambas podem ser ramificações de uma estrutura de baixa velocidade mais ampla na fronteira núcleo-manto, estendendo-se por milhares de quilômetros no manto inferior.

Esta formação em árvore sustenta teorias emergentes de que plumas do manto não sobem como colunas isoladas, mas como partes de redes interconectadas de superplumas. Pontos quentes como Afar, Yellowstone e agora Omã podem compartilhar origens comuns, conectando atividades superficiais através dos continentes a fontes profundas únicas da Terra.

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Implicações para o orçamento térmico terrestre

A descoberta carrega implicações significativas para compreender o orçamento de calor da Terra. Se muitas colunas similares estão contornando a convecção lenta do manto, mais calor que o esperado pode estar fluindo diretamente do núcleo, potencialmente encurtando estimativas de duração do dínamo interno.

Métodos tradicionais de detecção de plumas do manto dependem fortemente do vulcanismo superficial, podendo ignorar características ocultas sob crostas continentais espessas. A abordagem interdisciplinar combinando tomografia sísmica, análise de movimento de placas e sinais topográficos abre novos caminhos para identificar plumas fantasmas em regiões anteriormente consideradas livres de tais estruturas.

O estudo foi publicado na revista Earth and Planetary Science Letters.

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Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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Tags:
Placas Tectônicas
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por News

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