
O setor agropecuário do Acre pode enfrentar um dos seus maiores desafios financeiros das últimas décadas. De acordo com o Economista e Diretor da SEAGRI, Thiago de Almeida, a iminência de um “Super El Niño” coloca em risco cerca de R$ 1,12 bilhão em perdas diretas no campo, valor calculado sobre o Valor Bruto da Produção (VBP) do estado, atualmente estimado em R$ 4,5 bilhões.
A análise técnica aponta que a intensidade do fenômeno climático, prevista como de moderada a forte, deve impactar severamente a produtividade das principais cadeias produtivas. “Estamos monitorando os modelos econométricos de sensibilidade climática. Em um cenário de seca extrema, a quebra de produtividade pode chegar a 25%, o que representa uma retração brutal na economia interna do Acre”, alerta o economista.
Cadeias sob Ameaça: Leite e Grãos
De acordo com a Secretaria, a pecuária de leite é uma das frentes mais vulneráveis. O prolongamento da estiagem degrada as pastagens precocemente, obrigando o produtor a elevar os custos com suplementação em um momento em que a logística fluvial , essencial para a chegada de insumos a áreas remotas, o que torna-se mais cara e lenta.
Além da pecuária, culturas de ciclo curto e estratégicas como o milho, a mandioca e o café estão no radar de monitoramento.
Estratégia e Inovação
Frente a esse cenário, a SEAGRI reforça a necessidade de o produtor adotar tecnologias de mitigação. “O papel da nossa diretoria é levar inovação e dados para que o homem do campo não seja pego de surpresa. O El Niño é um fator externo, mas o planejamento da reserva hídrica e do manejo de solo é uma decisão interna que pode salvar o patrimônio do produtor”, afirma Thiago.
