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Rede reage à permanência de Marina e diz que ministra “se recusa a dialogar”

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📸 Foto: Reprodução

⏱️ 5 mins leitura🛡️ EditorialFato Checado

A direção nacional da Rede Sustentabilidade reagiu com críticas à decisão da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de permanecer na legenda. Em nota divulgada nesta semana, o partido afirmou que a ministra “se recusa a dialogar com a direção partidária” e classificou o anúncio como motivo de “indignação e perplexidade”.

O embate ocorre após uma mudança na correlação de forças internas da sigla. O grupo ligado a Marina perdeu espaço para uma ala associada à deputada Heloísa Helena. A reconfiguração, construída de forma gradual desde 2022, ganhou força após Marina aceitar o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o Ministério do Meio Ambiente.

Desde então, a Rede passou a conviver com dois projetos distintos. De um lado, aliados da ministra defendem uma atuação institucional, com participação no governo federal. Do outro, o grupo vinculado a Heloísa Helena sustenta uma linha mais ideológica e crítica à presença do partido no Executivo.

Apesar das divergências, Marina anunciou no último sábado (4) que permanecerá na legenda. Em nota pública, afirmou que a decisão é resultado de reflexão sobre o cenário político e reiterou o compromisso de fortalecer um campo democrático plural.

A resposta da direção da Rede, no entanto, elevou o tom do conflito. No texto, o partido afirma: “Recebemos com indignação e perplexidade a nota em que a deputada Marina Silva anunciou sua ‘permanência’ na REDE”. Em outro trecho, a sigla diz que “a ex-ministra recusa-se a dialogar com a direção partidária” e que “em nenhum momento o partido questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento”.

A direção também rebate a narrativa de perseguição interna e destaca que divergências já ocorreram anteriormente. “A REDE não tem dono. É um partido construído para conviver com divergências, sem submissão a vontades individuais”, diz a nota.

O documento ainda menciona episódios passados, como o apoio de Marina ao então candidato Aécio Neves em 2014 e posições adotadas em momentos de crise política, para sustentar que não houve punições internas mesmo diante de discordâncias.

Outro ponto levantado pela sigla é a judicialização das disputas internas. “A judicialização em série promovida por seu grupo, com centenas de ações, configura prática de lawfare”, afirma o texto, acrescentando que a maior parte das ações foi rejeitada e que a atual direção segue reconhecida.

A nota também reafirma o posicionamento político da legenda, com apoio à reeleição de Lula e à candidatura de Fernando Haddad em São Paulo, além de defender o fortalecimento da democracia, justiça social e combate à crise climática.

VEJA MAIS: Marina corre risco de deixar o partido que fundou após racha com deputada e retornar ao PT

O episódio expõe o aprofundamento das tensões dentro da Rede, em meio à disputa por direção política e estratégias eleitorais.

Confira a nota na íntegra:

Recebemos com indignação e perplexidade a nota em que a deputada Marina Silva anunciou sua “permanência” na REDE.
Indignação porque a ex-ministra recusa-se a dialogar com a direção partidária. Perplexidade porque em nenhum momento o partido questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento.

As especulações sobre sua saída sempre partiram dela ou de seu grupo, jamais da direção legitimamente eleita.

Escolhida de forma democrática, a direção da REDE trabalha diariamente para fortalecer o partido de baixo para cima, em conformidade com o estatuto, o programa e os princípios fundacionais de 16 de fevereiro de 2013. É essa orientação que tem permitido posicionar a REDE com clareza no campo democrático-popular, assegurando crescimento orgânico, coerência política e presença institucional.

A REDE não tem dono. É um partido construído para conviver com divergências, sem submissão a vontades individuais.

Assim foi em momentos de forte tensão interna, inclusive quando Marina defendeu posições desconfortáveis para parte do partido, como no apoio a Aécio Neves em 2014, na defesa do impeachment e na concordância com a intervenção federal no Rio de Janeiro. Mesmo diante desse giro político, que custou à REDE a perda de quadros importantes, jamais houve sanção, censura ou perseguição ou declarações de autoritarismo.

Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna.

Democracia exige respeito às decisões coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas.

Também não procede a tentativa de apresentar saídas recentes de mandatários como fruto de perseguição. Não houve expulsão. Houve, isso sim, uma tentativa frustrada de esvaziamento eleitoral, que não prosperou diante da chegada de novas lideranças, como Luizianne Lins e André Janones.

Alguns saíram; outros permaneceram, inclusive a própria ex-ministra, ainda com obrigações partidárias a cumprir.

A judicialização em série promovida por seu grupo, com centenas de ações, configura prática de lawfare: o uso abusivo da Justiça como instrumento de disputa interna e perseguição política. Ao contrário do que se tenta fazer crer, a Justiça não anulou o 5º Congresso Nacional da REDE. A maior parte das ações foi rejeitada, e a atual direção segue plenamente reconhecida, inclusive com integrantes do grupo de Marina em sua composição.

Seguimos firmes no apoio à reeleição de Lula, na defesa da vitória de Haddad em São Paulo e no compromisso com a democracia, a justiça social, o combate à crise climática e a soberania nacional.

Todos os que desejem fortalecer eleitoralmente a REDE são bem-vindos, evidentemente respeitando as regras partidárias e do bom convívio. Decisões referentes a apoios e candidaturas da REDE serão tomadas no âmbito do partido com dialogo e bom senso, mas de forma altiva e sem interferências externas.

Divergências devem ser enfrentadas pelas vias estatutárias, com debate franco e leal. A REDE não se curva a imposições de quem quer que seja. Essa independência faz parte de seu DNA, de sua história e de sua credibilidade.

Direção Nacional da REDE Sustentabilidade
Brasília/DF, 5 de abril de 2026.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: ContilNet por Matheus Mello

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