Pouso na Lua pode ser adiado para 2031, aponta auditoria da NASA

Um relatório divulgado na segunda-feira (20) pelo Gabinete do Inspetor Geral (OIG) da NASA faz críticas à forma como a agência vem conduzindo o desenvolvimento dos trajes espaciais de nova geração. Segundo o documento, os atrasos no projeto podem comprometer o programa Artemis, responsável pelo retorno de astronautas à Lua, e adiar o pouso tripulado lunar para 2031 – cerca de três anos além do cronograma estabelecido pelo governo dos EUA.

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Em resumo:

Auditoria da NASA critica conduta da agência no desenvolvimento de trajes espaciais;

Atrasos ameaçam o programa Artemis e o cronograma de exploração lunar;

Empresas privadas foram contratadas pela agência;

Uma delas desistiu, e a outra enfrenta desafios técnicos e prazos inviáveis;

Relatório prevê possível pouso na Lua apenas em 2031.

De acordo com o órgão de auditoria interna da NASA, a agência já enfrentava dificuldades internas no desenvolvimento desses trajes espaciais para missões lunares. Esses problemas contribuíram para o não cumprimento da meta anterior de retorno à Lua, originalmente prevista para 2024. Além disso, o módulo lunar tripulado do programa também não ficou pronto a tempo e ainda segue em desenvolvimento.

NASA optou por terceirizar o desenvolvimento dos trajes

Diante dessas dificuldades, a agência decidiu em 2022 mudar sua estratégia e passou a contratar empresas privadas para acelerar a criação dos trajes. Foram escolhidas a Axiom Space e a Collins Aerospace para desenvolver versões voltadas tanto para a superfície lunar quanto para missões em microgravidade. No entanto, a Collins desistiu do projeto após cerca de dois anos, deixando a Axiom como única responsável.

Por sua vez, a Axiom também enfrentou desafios técnicos e atrasos no desenvolvimento de um traje capaz de operar em diferentes ambientes espaciais. Com isso, o relatório do OIG considera que os prazos mais recentes da NASA (que previam trajes prontos entre 2025 e 2026) eram, na prática, inviáveis desde o início.

Proposta de traje espacial a ser desenvolvido pela Axiom Space em parceria com a grife Prada – Crédito: Divulgação/Axiom Space

O documento alerta ainda que, se o ritmo atual for mantido, os trajes espaciais podem não estar prontos antes de 2031. Apesar disso, a NASA afirma que está tentando acelerar o processo por meio de uma nova abordagem de gestão e contratação, com redução de etapas e maior flexibilidade técnica.

Chefe da agência garante pouso lunar ainda em 2028

Jared Isaacman, atual administrador da NASA, declarou que a agência pretende ter os trajes prontos em cerca de dois anos. Isso permitiria viabilizar um pouso lunar já na missão Artemis 4, prevista para ocorrer em 2028. Em publicação nas redes sociais, Isaacman afirmou estar confiante de que, quando a NASA estiver pronta para retornar à Lua, os astronautas já estarão utilizando trajes fornecidos pela Axiom.

Ao site Space.com, a própria Axiom reforçou essa expectativa. A empresa informou que pretende realizar testes dos trajes no espaço em 2027, em colaboração direta com a NASA. Segundo o CEO Jonathan Cirtain, a meta é concluir ainda este ano uma revisão crítica do projeto e avançar para demonstrações práticas antes das missões lunares. A empresa também declarou que mantém confiança no prazo de 2028 para uso em pousos na Lua.

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Estratégia deve ser revisada

O relatório do OIG também criticou o modelo de contratação adotado pela NASA. Segundo o órgão, o uso de contratos de preço fixo e baseados em serviços não seria o mais adequado para um projeto com alto nível de complexidade técnica. O documento aponta que a agência tentou reduzir custos, mas acabou aumentando os riscos de atrasos e dificuldades no desenvolvimento.

Continua após a publicidadeOs trajes espaciais são submetidos a uma série de testes,incluindo subaquáticos – Crédito: Gabinete do Inspetor Geral (OIG) da NASA

Outro ponto destacado é que a NASA teria assumido práticas consideradas arriscadas, como antecipar serviços antes de o mercado estar totalmente preparado e exigir propostas simultâneas para diferentes tipos de trajes. Essas decisões acabaram tornando o programa mais complexo do que o necessário.

Em resposta, a NASA afirma que está revisando sua estratégia e levando em conta as lições aprendidas. A agência reconhece que o desenvolvimento de trajes lunares é um desafio técnico significativo, comparável ao período do programa Apollo, cujas últimas missões ocorreram no início da década de 1970, quando astronautas pisaram pela última vez na Lua na missão Apollo 17.

Como parte das mudanças, a NASA pretende fortalecer sua força de trabalho e melhorar a supervisão dos contratos, com o objetivo de aumentar o controle técnico e reduzir riscos em programas futuros. Também está em estudo a criação de um modelo que permita contratar especialistas da indústria por períodos temporários.

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Essas mudanças acontecem em meio a restrições orçamentárias. O governo de Donald Trump propôs cortes no orçamento da NASA para os próximos anos, incluindo reduções significativas na área científica. Apesar disso, a administração da agência afirma que continuará perseguindo suas metas principais e defenderá sua proposta de orçamento em audiência no Congresso dos EUA.

Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Flavia Correia