Mesmo com a guerra em andamento no Oriente Médio, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) reforçou suas projeções de crescimento para 2026 e sinalizou confiança na continuidade da demanda por chips de inteligência artificial.
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A empresa – a maior fabricante de semicondutores sob encomenda do mundo – indicou que pretende investir no limite superior de sua faixa de capital prevista para este ano, entre US$ 52 bilhões e US$ 56 bilhões. A companhia também revisou sua estimativa de receita, passando a projetar uma expansão acima de 30% (contra cerca de 30% na projeção anterior).
Segundo o CEO CC Wei, a empresa voltou a consultar seus principais clientes – entre eles gigantes como Nvidia e Apple – para avaliar o cenário de demanda por IA. De acordo com o executivo, o retorno foi positivo e motivou a aceleração de investimentos, incluindo a ampliação de infraestrutura da fabricação.
Os resultados financeiros recentes reforçam o otimismo. No primeiro trimestre, a TSMC registrou margem bruta de 66%, o maior nível em mais de duas décadas. O desempenho ocorreu apesar de uma retração em segmentos tradicionais, como o de smartphones, que apresentou queda de 11% na comparação trimestral.
Para analistas consultados pelo The Wall Street Journal, os números refletem o momento favorável do setor. “Para quem ainda se pergunta se o mercado de IA ainda tem fôlego, a TSMC acaba de nos dizer que os negócios nunca estiveram tão bons”, afirmou Josh Gilbert, da eToro.
O avanço da empresa também tem impacto direto na cadeia global de semicondutores. Com investimentos robustos e margens elevadas, a TSMC consolidou sua posição como principal polo da indústria, atraindo fornecedores de equipamentos e insumos para suas operações em Taiwan, nos Estados Unidos e em outros mercados.
Esse movimento se reflete inclusive no mercado financeiro. O principal índice da bolsa de Taiwan atingiu recordes recentes, impulsionado pelo desempenho das ações da TSMC, que elevaram o valor de mercado da companhia para cerca de US$ 1,7 trilhão.
Conflito no Irã não ameaça demanda a curto prazo da TSMC – Imagem: Fiers/Shutterstock
TSMC não se deixou abalar pelo conflito no Oriente Médio
Apesar do otimismo, o cenário geopolítico ainda é acompanhado de perto. A produção de chips exige grande volume de energia, e Taiwan depende da importação de combustíveis. Nesse sentido, o conflito no Oriente Médio levanta preocupações sobre a estabilidade do fornecimento energético e de matéria-prima.
Executivos da empresa minimizaram riscos imediatos. Segundo a TSMC, o abastecimento de gás natural liquefeito está garantido no curto prazo, enquanto insumos críticos como hélio e hidrogênio são obtidos de diferentes regiões, o que reduz a vulnerabilidade a eventuais interrupções. Ainda assim, a companhia defende o fortalecimento das reservas estratégicas e a diversificação de fornecedores.
O hélio, por exemplo, é essencial no processo de resfriamento da produção de chips, e parte significativa da oferta global vem do Catar – um fator que mantém o setor atento aos desdobramentos na região. O Olhar Digital já deu detalhes sobre o risco de escassez de insumos neste link.
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Paralelamente, a TSMC segue expandindo sua presença internacional. A empresa adquiriu novos terrenos no Arizona, nos Estados Unidos, com o objetivo de ampliar sua capacidade produtiva e atender à demanda crescente de clientes locais no longo prazo.
Vitoria Lopes Gomez
Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e redatora do Olhar Digital.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Vitoria Lopes Gomez
