O Acre voltou a entrar em estado de atenção diante da ameaça da monilíase, doença considerada altamente prejudicial às plantações de cacau e cupuaçu. Nesta semana, uma suspeita da praga mobilizou equipes do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre, que se deslocaram até a comunidade Foz do Arara, localizada na zona rural de Marechal Thaumaturgo, no Vale do Juruá.

A monilíase é classificada como uma praga quarentenária por seu alto poder de destruição: Foto/ Ascom/Idaf
O alerta teve início após o secretário municipal de Agricultura, Joab Ferreira de Souza, identificar possíveis sinais da doença em frutos de cupuaçu em uma propriedade da região. A partir da notificação, técnicos do órgão realizaram uma vistoria no local e constataram características compatíveis com a monilíase, adotando imediatamente medidas de contenção.
De acordo com o técnico Luan José da Silva, o material já foi encaminhado para análise. “O produtor rural reconheceu os sinais e fez a comunicação. Durante a vistoria na propriedade, observei um fruto com alteração na coloração e presença de sintomas típicos da monilíase. Diante da suspeita, realizamos o registro e coletamos amostras para análise laboratorial”, relatou.
A monilíase é classificada como uma praga quarentenária por seu alto poder de destruição, afetando principalmente os frutos de cacau e cupuaçu e causando prejuízos expressivos à produção. Sua disseminação pode ocorrer de forma natural, por meio do vento, da chuva, de insetos e de animais silvestres. No entanto, o transporte feito por pessoas — incluindo frutos, sementes, mudas, ferramentas, roupas e até veículos contaminados — é apontado como um dos principais fatores para a expansão da doença.
Desde o primeiro registro no estado, ocorrido em 2021 em Cruzeiro do Sul, o governo intensificou as ações de vigilância, especialmente na região do Juruá, considerada estratégica por concentrar áreas produtoras e estar próxima de zonas de risco. Entre as medidas adotadas estão o monitoramento constante das propriedades rurais, eliminação de focos identificados e campanhas de orientação voltadas aos agricultores.
Outra estratégia importante é a atuação da barreira fitossanitária instalada no Posto de Fiscalização Agropecuária do Rio Liberdade, na BR-364. No local, veículos passam por inspeções diárias para evitar o transporte de materiais que possam estar contaminados e, assim, impedir a disseminação da praga para regiões ainda livres.
Enquanto os exames laboratoriais não são concluídos, o caso mantém produtores e autoridades em alerta máximo, devido ao risco que a monilíase representa para duas das culturas mais relevantes da agricultura acreana.
A facilidade de propagação é um dos pontos mais críticos da doença. O fungo responsável produz grande quantidade de esporos, que se espalham rapidamente e podem atingir novas áreas com facilidade. Em locais onde não há controle adequado, as perdas podem ser severas, afetando diretamente a renda dos produtores e toda a cadeia produtiva.
Por isso, a atuação dos agricultores é considerada essencial. Ao identificar frutos com alterações na coloração, manchas ou sinais de apodrecimento, a orientação é comunicar imediatamente os órgãos de defesa agropecuária. A rapidez na identificação de casos suspeitos é determinante para conter o avanço da monilíase e preservar a produção.