O avanço das energias renováveis marca um novo capítulo, com o recente desembarque do primeiro cabo de transmissão do Hornsea 3 na costa de Norfolk (Reino Unido). Este projeto faz parte do maior parque eólico offshore do mundo, localizado no Mar do Norte, planejado para transmitir 11 terawatt-horas anuais para abastecer milhões de lares britânicos.
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Estima-se que o Hornsea 3 suprirá energia para cerca de 3,3 milhões de residências no Reino Unido. No entanto, se os preços de combustíveis fósseis continuarem a subir, promovendo um aumento no uso de veículos elétricos e bombas de calor, o impacto energético pode ser um pouco menor do que o esperado.
Energia eólica offshore: uma solução para a crise energética?
A crescente urgência em transitar para fontes de energia limpas, amplificada pela recente crise no Estreito de Hormuz, destaca a importância do investimento em alternativas sustentáveis como a energia eólica;
Apesar de ter experimentado um grande crescimento há anos, o setor offshore oferece um potencial de escalabilidade que as instalações em terra não podem igualar;
Embora em 2009 a capacidade mundial de energia eólica offshore fosse de apenas 2,1 gigawatts, projetos como o Hornsea 3 têm expandido essas fronteiras;
Desde a inauguração do Hornsea 1 em 2019 com 1.218 gigawatts, continuamente superado pelo Hornsea 2 com 1.386 gigawatts em 2022, observa-se um crescimento expressivo nesse setor.
Progresso do Hornsea 3 e a colaboração internacional
Com previsão de conclusão em 2027, o Hornsea 3, uma iniciativa da Ørsted, superará em tamanho os parques Hornsea 1 e 2 juntos. Recentemente, uma importante etapa foi alcançada com a chegada do primeiro cabo à vila de Weybourne, em Norfolk. O cabo combina dois de alta tensão com um cabo de fibra ótica, responsável pela comunicação de dados com o centro de operações.
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Localização relativa dos parques eólicos Hornsea 1 e 2 existentes e o local onde o parque eólico Hornsea 3 está sendo construído – Ørsted
“A chegada do primeiro cabo onshore representa um marco significativo para o Hornsea 3 e é um testemunho do trabalho árduo das nossas equipes na Ørsted, Jan de Nuul e NKT,” comentou Luke Bridgman, gerente do projeto Hornsea 3, ao North Norfolk News.
Crescimento global e desafios futuros
Atualmente, o Reino Unido já obtém 17% de sua eletricidade a partir de energia eólica offshore, superando a produção de energia nuclear e onshore. A conclusão do Hornsea 3 promete consolidar essa fonte como a principal geradora de eletricidade do país.
Porém, enquanto o Hornsea 3 busca afirmar-se como o maior parque eólico do mundo, outros projetos competem pelo mesmo título. Projetos, como o Sofia, no Mar do Norte, e o Coastal Virginia Offshore Windfarm (CVOW), nos Estados Unidos, também prometem grandes capacidades de geração.
Nos EUA, desafios regulatórios atrasaram o desenvolvimento do CVOW, que, mesmo assim, começou sua produção recentemente, ainda que em capacidade reduzida. A transição para energias renováveis enfrenta complicações complexas, exacerbadas por políticas e pressões econômicas diversas.
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Além dos projetos mencionados, a China planeja o ambicioso Guangdong East Site 7, que poderá superar qualquer parque atual em capacidade. No entanto, o status desse projeto permanece incerto, refletindo os desafios e as incertezas enfrentadas globalmente em projetos de tal magnitude.
Como um marco significativo, o Hornsea 3 não apenas representa um avanço significativo para o setor de energia renovável, mas, também, aponta uma direção clara para um futuro menos dependente de combustíveis fósseis. Com investimentos contínuos e um planejamento cuidadoso, os parques eólicos offshore evoluem para desempenhar um papel cada vez mais central nas estratégias energéticas globais.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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Tags:
Energia
Energia Eólica
Reino Unido
Fonte: Olhar Digital
