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Um relatório da ONU Mulheres, publicado nesta quinta-feira (30), aponta que a violência online e o uso de deepfakes estão afastando mulheres de cargos públicos e da vida política.
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O documento destaca que ataques coordenados buscam silenciar vozes femininas e minar a credibilidade profissional de jornalistas, ativistas e defensoras de direitos humanos mundo afora.
Intitulado “Tipping point: Online violence impacts, manifestations and redress in the AI age“, o estudo contou com a participação de 641 profissionais de 119 países.
A pesquisa detalha um cenário de “estupro virtual” e assédio facilitado por inteligência artificial (IA) que resulta em graves danos à saúde mental e retrocessos em direitos conquistados.
IA acelera o silenciamento e agrava a crise de impunidade digital, segundo a ONU
A sofisticação técnica das agressões impressiona pela velocidade: atualmente, ferramentas de IA permitem sobrepor rostos em vídeos pornográficos ou fabricar imagens íntimas em poucos minutos.
Segundo o relatório:
27% das entrevistadas sofreram assédio via mensagens;
12% tiveram fotos íntimas compartilhadas sem consentimento;
6% foram alvo de deepfakes.
O objetivo desses ataques é minar a credibilidade profissional e a saúde mental das vítimas.
Os danos extrapolam o ambiente virtual e atingem a saúde clínica das mulheres de forma severa. O estudo aponta que 24% das vítimas desenvolveram quadros de ansiedade ou depressão decorrentes da violência sofrida no ambiente digital.
Mais grave ainda é o índice de 13% das entrevistadas diagnosticadas com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), o que demonstra que o impacto de um ataque online é comparável a traumas físicos graves.
Muitas participantes da pesquisa disseram ter passado a se autocensurar nas redes sociais por receio de serem vítimas de violência online – Imagem: mikoto.raw Photographer/Pexels
Esse cenário gera um “efeito de resfriamento” na democracia, forçando as mulheres a recuarem para se protegerem.
As estatísticas mostram que 41% das participantes passaram a se autocensurar nas redes sociais e 19% reduziram sua atuação profissional para evitar novos abusos.
A pesquisadora Lea Hellmueller destaca que, muitas vezes, as próprias autoridades orientam as vítimas a abandonarem seus cargos ou redes sociais. Ou seja, terceirizam para a mulher a responsabilidade pela sua própria proteção.
Para Julie Posetti, coordenadora da pesquisa, o fenômeno do “estupro virtual” é facilitado por tecnologias que, por design, priorizam o lucro ao amplificar discursos de ódio.
Ela argumenta que essa violência não é aleatória, mas uma ferramenta política usada em contextos de retrocesso democrático para remover vozes femininas de espaços de decisão.
O relatório também sugere que a facilidade de acesso a essas ferramentas de IA colocou o poder de destruição de reputações literalmente “na ponta dos dedos” de qualquer agressor.
Apesar da gravidade, o sistema de justiça ainda falha em oferecer respostas concretas. Embora um quarto das mulheres tenha levado os casos à polícia, apenas 15% dessas denúncias resultaram em qualquer ação legal.
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A coautora Pauline Renaud enfatiza que, além de treinar juízes e policiais para que parem de culpar as vítimas, é urgente que haja vontade política para regular as big techs.
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.
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DEEPFAKES
Inteligência Artificial
mulheres
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Pedro Spadoni
