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Detalhes nunca antes vistos em Saturno se revelam em novas imagens da NASA

Dois grandes telescópios espaciais da NASA registraram imagens inéditas de Saturno. Cada um deles observa o planeta por diferentes comprimentos de onda, revelando detalhes únicos da atmosfera do gigante dos anéis.

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Enquanto o Telescópio Espacial Hubble destaca variações sutis de cor nas nuvens visíveis, o Telescópio Espacial James Webb (JWST) consegue enxergar camadas mais profundas, identificando compostos químicos em diferentes altitudes da atmosfera.

Combinadas, essas observações permitem analisar Saturno por camadas, como se estivéssemos descascando uma cebola de gás e nuvens. Essa abordagem ajuda a entender melhor a dinâmica do gigante gasoso e complementa dados da missão Cassini, que estudou o planeta e seus anéis por quase vinte anos.

Capturada em 29 de novembro de 2024 pelo Telescópio Espacial James Webb, da NASA, esta imagem infravermelha de Saturno mostra seus anéis de gelo brilhantes e sua atmosfera em camadas. Diversas luas são visíveis, incluindo Janus, Dione e Encélado – NASA, ESA, CSA, STScI; Processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI)

“Onda de fita” serpenteia no hemisfério norte de Saturno

As novas imagens mostram uma corrente de jato chamada “onda em fita”, que serpenteia pelo hemisfério norte. Ela é influenciada por movimentos atmosféricos difíceis de detectar. Logo abaixo, aparece o remanescente de uma grande tempestade ocorrida entre 2010 e 2012.

Outras tempestades aparecem espalhadas pelo hemisfério sul. De acordo com um comunicado, esses fenômenos resultam de ventos intensos e ondas atmosféricas que atuam abaixo das nuvens visíveis. Saturno funciona como um laboratório natural para estudar fluidos em condições extremas.

Outro destaque é o famoso hexágono no polo norte, descoberto em 1981. Trata-se de um padrão climático estável, praticamente inalterado há décadas, que ainda intriga os cientistas. A estrutura deve desaparecer da observação por cerca de quinze anos, durante o longo inverno do polo norte.

Capturada em 22 de agosto de 2024 pelo Telescópio Espacial Hubble, da NASA, esta imagem de Saturno em luz visível revela a atmosfera suavemente listrada do planeta e seus icônicos anéis. Várias luas também são visíveis, como Janus, Mimas e Epimeteu – NASA, ESA, STScI, Amy Simon (NASA-GSFC), Michael Wong (UC Berkeley); Processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI)

Nas imagens mais recentes, os polos do planeta aparecem com tonalidade esverdeada. Isso indica emissão de luz em determinadas faixas da atmosfera, possivelmente causada por partículas em grandes altitudes ou pela ocorrência de auroras. Essas luzes surgem quando partículas carregadas interagem com o campo magnético de Saturno.

Os anéis também se destacam. Compostos principalmente por gelo, eles refletem grande quantidade de luz, aparecendo muito brilhantes. Alguns detalhes, como variações internas e estruturas finas, aparecem de formas diferentes nos dois telescópios, revelando aspectos novos sobre sua composição e comportamento.

Continua após a publicidadeUma visão mais ampla de Saturno, obtida pelo Telescópio Espacial James Webb, da NASA, mostra seis das maiores luas de Saturno, incluindo a maior, Titã, no canto esquerdo – NASA, ESA, CSA, STScI; Processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI)

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A posição de Saturno em relação ao Sol e à Terra influencia o ângulo de visão do planeta. Isso faz com que certas regiões e detalhes fiquem mais ou menos visíveis ao longo do ano. As imagens recentes mostram Saturno em transição de estações, com o hemisfério norte próximo ao equinócio e o sul entrando na primavera.

Ao longo das últimas décadas, o Hubble construiu um registro detalhado da evolução atmosférica de Saturno. Agora, o Webb adiciona observações em infravermelho, permitindo medir com mais precisão a estrutura e os processos dinâmicos do planeta.

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O Telescópio Espacial James Webb é atualmente o principal observatório da NASA e explora desde planetas do Sistema Solar até regiões distantes do Universo. O projeto é uma parceria internacional entre a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Canadense (CSA).

Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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Fonte: Olhar Digital

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