Uma pesquisa publicada na revista Nature Astronomy descreve a descoberta de uma rara lente gravitacional em forma de Cruz de Einstein, que revelou uma galáxia jovem com estrelas surpreendentemente maduras.
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O fenômeno ocorre quando a gravidade de uma galáxia mais próxima amplia e distorce a luz de um objeto mais distante. Nesse caso, esse efeito permitiu aos astrônomos observar a galáxia J1453g com grande precisão. A luz do objeto distante aparece repetida em formato de cruz nas imagens obtidas.
A galáxia é vista como era há cerca de 8 bilhões de anos. Apesar de estar em uma fase inicial do Universo, apresenta estrelas inesperadamente maduras e estrutura semelhante à Via Láctea. O achado indica que a evolução das galáxias pode ser mais complexa do que modelos anteriores sugerem.
Lente gravitacional ajuda a calcular distribuição de massa da galáxia
A equipe utilizou o efeito de lente gravitacional para calcular a distribuição de massa da galáxia J1453g. As múltiplas imagens do quasar permitiram reconstruir com precisão o campo gravitacional do sistema. Isso resultou em uma das medições mais detalhadas já feitas para uma galáxia tão distante.
Uma “cruz de Einstein” com a galáxia elíptica J1453g em seu centro – Crédito: Quirino D’Amato via Nature Astronomy
O quasar, localizado ainda mais longe, é alimentado por um buraco negro supermassivo. A luz desse objeto é distorcida ao passar pela galáxia intermediária, formando a Cruz de Einstein. Esse alinhamento quase perfeito entre Terra, galáxia e quasar – essencial para o fenômeno – ocorre em escalas cosmológicas extremamente precisas observáveis atualmente por telescópios.
Os dados indicam que a composição estelar de J1453g é semelhante à da Via Láctea. Isso surpreende porque se esperava um núcleo dominado por estrelas de baixa massa. A presença de estrelas mais maduras sugere evolução mais rápida ou diferente do previsto. Essa similaridade levanta novas discussões sobre a evolução de galáxias em ambientes cósmicos distintos e extremos ao longo do tempo.
Os resultados indicam que a formação de galáxias pode ocorrer de maneira mais lenta e complexa. Também é possível que eventos de fusão tenham alterado sua estrutura inicial. O estudo reforça a necessidade de revisar modelos de evolução cósmica. Os dados ajudam a refinar simulações de evolução galáctica em larga escala.
Exemplo de galáxia elíptica (NGC 1316) – Crédito: NASA, ESA e a Equipe do Patrimônio Hubble (STScI/AURA)
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O fenômeno da lente gravitacional permite observar objetos extremamente distantes com muito mais detalhe do que seria possível normalmente. Ele também ajuda os astrônomos a medir a massa de galáxias que ficam entre a Terra e esses objetos, como é o caso da J1453g.
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Essas informações são importantes para entender como o Universo está estruturado e como ele evolui ao longo do tempo. Por isso, observatórios modernos usam esse efeito como uma ferramenta essencial para estudar regiões muito profundas do cosmos.
A teoria da relatividade geral de Albert Einstein explica esse efeito. A massa de grandes objetos curva o espaço-tempo, desviando a luz que passa por eles. Esse desvio pode gerar imagens múltiplas ou ampliadas de um mesmo objeto distante. Essa explicação ajuda a compreender fenômenos de distorção da luz em diferentes escalas do universo observável com maior precisão científica.
No caso estudado, o método revelou informações inéditas sobre a formação estelar. Os resultados sugerem que galáxias elípticas podem ter histórias mais variadas do que o esperado. Isso amplia o conhecimento sobre a evolução das estruturas cósmicas. Esses achados também contribuem para novas hipóteses cosmológicas futuras.
Flavia Correia
Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.
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Tags:
Albert Einstein
Galáxia
Lente Gravitacional
Teoria da Relatividade
Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Flavia Correia

