Cientistas detectaram, por meio do Telescópio Espacial James Webb (JWST), que a atmosfera do exoplaneta gigante TOI-5205 b, conhecido como “planeta proibido”, é estranha.
Continua após a publicidade
A descoberta, feita por uma equipe internacional liderada pelo NASA Goddard Space Flight Center e pela Carnegie Science, desafia o padrão observado em gigantes gasosos do nosso Sistema Solar e de outros sistemas estudados até hoje.
Atmosfera pobre em metais e rica em carbono desafia o que a Ciência sabe sobre planetas
Imagine que você queira assar um bolo enorme, mas só tenha uma caneca pequena para usar como tigela. De acordo com as leis da química e da física que conhecemos, isso seria impossível. Afinal, não há espaço suficiente para o bolo crescer.
Esse é o “nó” dado na mente dos cientistas após a descoberta sobre o exoplaneta TOI-5205 b. Vamos por partes.
O problema da proporção
Na astronomia, planetas gigantes como Júpiter geralmente se formam em torno de estrelas grandes, como o nosso Sol. O TOI-5205 b é um gigante gasoso (quase do mesmo tamanho de Júpiter), mas ele orbita uma anã vermelha, uma estrela muito pequena e fria.
O TOI-5205 b é um gigante gasoso (quase do mesmo tamanho de Júpiter), mas ele orbita uma estrela anã vermelha – Imagem: Katherine Cain/Carnegie Science
Pelas teorias atuais, o disco de poeira e gás que sobra da formação dessa estrela pequena não deveria ser material suficiente para criar um planeta desse tamanho. Por isso, ele foi apelidado de “planeta proibido”.
A atmosfera ‘invertida’
O que a pesquisa traz de novidade é que a atmosfera desse planeta é estranha. Normalmente, planetas gigantes são mais “sujos” (ricos em elementos pesados ou metais) do que a estrela em torno da qual nasceram.
Só que no TOI-5205 b, ocorre o contrário: a atmosfera dele tem baixa metalicidade. Ela é mais “limpa” do que a própria estrela.
Isso sugere que os elementos pesados não estão suspensos no ar do planeta, mas sim afundados e presos no seu núcleo. Ou seja, a parte de fora do planeta não “conversa” com a parte de dentro.
O que o James Webb “viu” (e o que não viu)
Usando infravermelho, o telescópio conseguiu detectar:
Metano e sulfeto de hidrogênio: Esses gases estão lá e ajudam a confirmar que o planeta é rico em carbono;
O problema da água: Os cientistas ainda não conseguiram confirmar a presença de água. Não porque ela não exista, mas porque a estrela é cheia de manchas solares. Essas manchas “sujam” a luz que o telescópio recebe, agindo como ruído que impede a leitura precisa de alguns elementos.
Por que isso importa?
Essa pesquisa serve como um teste de estresse para a ciência. Isso porque ela prova que os nossos modelos de como os planetas se formam estão incompletos.
Se um planeta “proibido” existe e tem uma química que desafia o padrão, significa que existem processos no Universo que ainda não colocamos nos livros didáticos.
O próximo passo será observar a luz que o planeta emite. A ideia é “limpar” a interferência da estrela para entender, finalmente, do que esse gigante é feito.
Continua após a publicidade
(Essa matéria também usou informações de Universidade de Birmingham.)
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.
Ver todos os artigos →
Tags:
estudos
Exoplanetas
pesquisas
Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Pedro Spadoni

