COMPARTILHAR0SigaSiga Google Discover A crise no transporte coletivo de Rio Branco dominou os debates na Câmara Municipal/Foto: ContilNet
A crise no transporte coletivo de Rio Branco, intensificada após a paralisação dos motoristas de ônibus nesta quarta-feira (23), dominou os debates na Câmara Municipal. Diante do colapso no serviço e das denúncias apresentadas pelos trabalhadores, vereadores anunciaram a convocação de uma reunião de emergência da Comissão de Transporte para discutir saídas imediatas e medidas estruturais para o sistema.
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A paralisação deixou o Terminal Urbano completamente vazio durante a manhã, sem circulação de ônibus e passageiros. O movimento foi articulado de forma independente pelos próprios trabalhadores, por meio das redes sociais, com a frase “Acorda Rio Branco”.
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Entre as principais reivindicações da categoria estão atrasos frequentes no pagamento de salários, falta de depósitos de FGTS e INSS, além de denúncias envolvendo empréstimos consignados. Segundo os motoristas, os valores estariam sendo descontados mensalmente na folha de pagamento, mas sem o repasse às instituições financeiras, gerando cobranças indevidas aos funcionários.
Durante a sessão legislativa, o presidente da Comissão de Transporte da Casa, vereador Bruno Moraes (PP), afirmou que o momento exige tratar a crise em duas frentes distintas.
Vereador Bruno Moraes, presidente da Comissão de Transporte da Casa/Foto: ContilNet
“Eu acredito que a gente precisa separar isso em dois temas, em duas frentes. Uma, que a gente precisa debater, e isso na reunião vai ser apresentado, que é um pedido de esclarecimento da suspensão do processo licitatório. Isso é o pós, mas precisa ser debatido, porque é uma esperança nossa”, declarou.
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A segunda frente, segundo o parlamentar, envolve a garantia dos direitos trabalhistas e a adoção de mecanismos que impeçam novos atrasos salariais e paralisações.
Bruno citou que, quando foi discutido o subsídio ao transporte público, já havia sido sugerida a exigência de comprovação dos encargos trabalhistas pelas empresas concessionárias.
“O vereador Felipe Tchê foi muito feliz quando, na propositura do subsídio, foi incluído o artigo para que houvesse a comprovação dos encargos, para que a gente não chegasse a esse ponto agora”, disse.
Como medida emergencial, o vereador propôs a implantação de uma “conta vinculada”, modelo já utilizado em contratos terceirizados. Nesse formato, parte dos valores pagos às empresas fica retida em conta específica para garantir o pagamento de salários, férias, FGTS e demais obrigações trabalhistas.
“É um desconto no ato do pagamento da medição, de 31,5% mais ou menos, que vai depositado numa conta vinculada para que não aconteça o que está acontecendo hoje: essa paralisação por conta de falta de pagamento. É inadmissível, em pleno século XXI, a gente estar passando por isso”, afirmou.
Bruno Moraes também criticou a falta de planejamento histórico no setor e relembrou que a última licitação do transporte público em Rio Branco ocorreu há duas décadas.
“A última vez que nós tivemos licitação em Rio Branco para o transporte público foi em 2006. Foram contratos de 10 anos. Em 2016 foi renovado por um emergencial. Há muitos anos não se dá como prioridade o transporte público”, pontuou.
O vereador ainda mencionou problemas enfrentados em administrações anteriores, quando empresas deixaram de operar no município, provocando prejuízos aos trabalhadores e à população.
Apesar das críticas ao sistema, Bruno destacou a atuação do prefeito Alysson Bestene nas negociações com os motoristas e empresas após a paralisação.
“Para amenizar também, o prefeito Alysson, que está presente, está dando a cara, está dando as reuniões de madrugada para que a gente busque uma solução imediata, mas também pensando a médio e longo prazo”, declarou.
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Terminal Urbano fica completamente vazio após paralisação de motoristas
Terminal Urbano de Rio Branco amanheceu completamente vazio nesta quarta-feira (22), após a paralisação dos motoristas de ônibus que operam as linhas do transporte coletivo da capital acreana. Sem circulação de veículos e passageiros, o cenário chamou a atenção logo nas primeiras horas do dia.
Diante do impasse, o prefeito Alysson Bestene iniciou ainda durante a madrugada, por volta das 3h, uma rodada de negociações com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas (Sinttpac), em busca de uma solução imediata para restabelecer o serviço.
A mobilização foi organizada de forma independente pelos próprios trabalhadores e articulada pelas redes sociais com a frase “Acorda Rio Branco”. Segundo a categoria, o movimento representa um grito de socorro diante de sucessivos descumprimentos trabalhistas atribuídos às empresas concessionárias responsáveis pelo transporte público no município.
A equipe do ContilNet esteve no local e registrou a situação do terminal, completamente vazio, sem ônibus e sem passageiros.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: ContilNet por Matheus Mello, ContilNet
