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Asteroide que foi despedaçado pelo Sol pode ser a origem de uma nova chuva de meteoros

Um artigo publicado no periódico científico The Astrophysical Journal relata que astrônomos podem ter identificado sinais de uma nova chuva de meteoros, com origem incomum: um asteroide que se aproximou demais do Sol e acabou se fragmentando, liberando detritos pelo espaço.

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Todos os anos, a Terra atravessa regiões repletas de poeira e pequenos fragmentos deixados por objetos celestes. Ao entrar na atmosfera, esse material produz as popularmente chamadas “estrelas cadentes”. 

A maioria dessas chuvas tem origem em cometas, corpos formados por gelo, poeira e rochas. A chuva de meteoros Perseidas, associada ao cometa Swift-Tuttle, que completa uma volta ao redor do Sol a cada 133 anos, é um exemplo. Foi o astrônomo Giovanni Schiaparelli quem identificou, ainda no século XIX, a ligação entre o objeto e o fenômeno observado no céu, de acordo com a NASA.

Animação mostra Terra passando pelo caminho das partículas do cometa 109P/Swift-Tuttle, na constelação de Perseus – Crédito: Ian Webster; Dados: NASA, CAMS, Peter Jenniskens (Instituto SETI)

Quando esses fragmentos entram na atmosfera terrestre, podem atingir velocidades superiores a 24 km/s. O atrito com o ar faz com que aqueçam rapidamente e se desintegrem, gerando rastros luminosos que podem ser vistos a olho nu, especialmente em locais com pouca poluição luminosa.

Ao se aproximar do Sol, o cometa libera poeira ao longo de sua órbita. Com o tempo, esse material forma uma trilha. Quando a Terra cruza esse caminho, os fragmentos colidem com a atmosfera e produzem as chuvas de meteoros.

Chuvas de meteoros com origem em asteroides são menos comuns

Embora seja menos comum, asteroides também podem gerar esse tipo de fenômeno. Um exemplo conhecido é a chuva das Geminídeas, que ocorre em dezembro e está associada ao asteroide 3200 Phaethon. Diferentemente dos cometas, esses corpos são predominantemente rochosos.

No novo estudo, o pesquisador Patrick M. Shober, astrônomo e cientista vinculado à NASA, especializado no monitoramento de meteoros e na dinâmica de pequenos corpos do Sistema Solar, analisou registros feitos por redes de câmeras espalhadas pelo mundo. Ao todo, foram examinados mais de 235 mil meteoros e bolas de fogo. Entre eles, cerca de 282 apresentaram características semelhantes, indicando uma possível origem comum ainda desconhecida.

Chuva de meteoros Geminídeas (que é causada pela passagem da Terra por uma nuvem de detritos do asteroide 3200 Phaethon) sobre o Lago Nianhu, na China, em 2023 – Crédito: Hongyang Luo via APOD NASA

Segundo o cientista, esses meteoros contam a história de um asteroide que chegou muito perto do Sol. Com o tempo, os fragmentos liberados por esse tipo de evento tendem a se espalhar pelo espaço. No início, permanecem agrupados, mas depois se dispersam gradualmente sob a influência da gravidade de planetas.

Esse processo pode ser comparado a uma gota de corante em água corrente. No começo, a cor fica concentrada, mas logo se espalha até desaparecer. No espaço, algo semelhante ocorre: forças gravitacionais atuam sobre os fragmentos, separando-os até que formem uma nuvem difusa de poeira.

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Simulações investigam como rocha se desintegrou

Existem diferentes formas de um asteroide se fragmentar. Ele pode se romper devido à própria rotação acelerada ou sofrer influência de forças gravitacionais intensas ao passar próximo de outros corpos celestes. Esse último caso é conhecido como ruptura por maré.

Com base em simulações, o estudo sugere que a nova chuva de meteoros pode ter surgido justamente desse tipo de evento. Ou seja, um asteroide teria se aproximado demais do Sol e acabou sendo desintegrado por forças gravitacionais intensas.

Apesar das evidências, o objeto original que deu origem aos meteoros ainda não foi identificado. A expectativa é que futuras missões espaciais, como a Near-Earth Object Surveyor, prevista para ser lançada pela NASA em 2027, ajudem a esclarecer essa origem e ampliar o conhecimento sobre esses fenômenos.

Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Flavia Correia

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