Embora foguetes e astronautas fiquem nos holofotes, o verdadeiro coração das missões espaciais está longe das plataformas de lançamentos. Nos arredores de Houston, no Texas, um complexo de concreto erguido nos anos 1960 segue sendo peça central da exploração espacial: o Centro de Controle de Missões Christopher C. Kraft Jr., da NASA.
Continua após a publicidade
O local foi batizado em homenagem ao engenheiro que estruturou o modelo de comando das missões e se consolidou com uma ideia que perdura até hoje: reunir em uma única sala todos os especialistas responsáveis por monitorar e conduzir uma espaçonave, sob a liderança de um diretor de voo.
Parte desse legado permanece preservada. A sala de controle original que acompanhou o pouso da Apollo 11 e ajudou a gerenciar a crise da Apollo 13 foi transformada em marco histórico nacional nos Estados Unidos, mantendo até objetos cotidianos da época.
Ao lado dela, funciona a versão moderna, preparada para as missões do programa Artemis, que retoma a exploração lunar tripulada no século 21.
A Artemis 2, prevista para ser lançada nesta quarta-feira (1), marcará o retorno de astronautas à órbita da Lua após mais de 50 anos. A missão levará quatro tripulantes em uma trajetória ao redor do satélite natural, alcançando a maior distância já percorrida por humanos no espaço.
Eles viajarão a bordo da cápsula Orion, lançada pelo foguete SLS, o mais potente já desenvolvido pela agência. O Olhar Digital deu todos os detalhes do lançamento e dos objetivos da missão neste link.
Serão dez dias no espaço. Durante esse tempo, a equipe em Houston vai acompanhar cada etapa do voo, operando em turnos contínuos. Do controle da trajetória aos sistemas de propulsão e até aos sinais vitais dos astronautas, tudo será monitorado em tempo real.
“Nosso objetivo é garantir a segurança da tripulação, da espaçonave e o cumprimento da missão — nessa ordem”, resumiu a diretora de voo Fiona Antkowiak à BBC.
Centro de controle da NASA na década de 1970 – (Imagem: NASA/Reprodução)
Passado vs presente das missões espaciais
Apesar dos avanços tecnológicos, a essência da operação permanece a mesma. A comunicação com os astronautas é centralizada no “capcom”, função que existe desde os primeiros voos tripulados, enquanto o diretor de voo detém a palavra final em decisões críticas.
Paralelamente, uma segunda equipe atua na Sala de Avaliação da Missão (Mer), composta por engenheiros que participaram do desenvolvimento da Orion e acompanham o desempenho técnico da nave, auxiliando na resolução de eventuais falhas.
A estrutura atual combina tradição e modernidade. Consoles antigos deram lugar a interfaces digitais e telas sensíveis ao toque, mas algumas funções mantêm nomenclaturas históricas. O ambiente também reflete mudanças culturais importantes: se, no passado, a sala era dominada por jovens engenheiros homens e brancos, hoje há mais diversidade, com presença significativa de mulheres em posições de liderança.
Tripulação da Artemis 2 com Rise, o mascote da missão – Crédito: NASA/Kim Shiflett
Sala de controle será fundamental na Artemis 2
A preparação para a Artemis 2 inclui um rigoroso programa de simulações. Inspirado nas práticas das missões Apollo, o treinamento expõe equipes a cenários extremos, com múltiplas falhas simultâneas, para garantir respostas rápidas em situações reais. A estratégia se baseia em uma lição histórica: praticamente todas as missões tripuladas enfrentaram imprevistos – e o sucesso dependeu da capacidade de antecipá-los.
Continua após a publicidade
Um dos momentos mais críticos da Artemis 2 ocorrerá cerca de dois dias após o lançamento, quando será tomada a decisão de seguir em direção à Lua, na chamada injeção translunar. A escolha exige total confiança nos sistemas da nave, já que, a partir daí, as possibilidades de retorno imediato são limitadas.
Outro ponto de tensão será a perda temporária de comunicação quando a Orion passar pelo lado oculto da Lua. Durante aproximadamente 40 minutos, a equipe em Terra ficará sem contato com a tripulação – um intervalo esperado do ponto de vista técnico, mas que tende a gerar ansiedade no controle da missão.
Na fase final, o desafio será o retorno à Terra. A cápsula reentrará na atmosfera a cerca de 40 mil km/h, enfrentando temperaturas superiores a 2.000 °C. O histórico recente reforça a cautela: na missão Artemis 1, não tripulada, o escudo térmico sofreu danos durante a reentrada, contribuindo para o adiamento da missão seguinte.
Continua após a publicidade
Para os profissionais envolvidos, os riscos são concretos. Trey Perryman, que lidera a equipe da Mer na Artemis 2, esteve no controle durante o desastre do ônibus espacial Columbia, em 2003, que se desintegrou durante a reentrada na Terra e matou os sete astronautas a bordo.
Você pode conferir a agenda completa dos astronautas da Artemis 2 no espaço neste link.
Vitoria Lopes Gomez
Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, é redatora de Hard News.
Ver todos os artigos →
Tags:
Artemis 2
Nasa
Fonte: Olhar Digital
