O trágico caso de Itumbiara (GO), onde o ex-secretário de Governo Thales Machado atirou contra os próprios filhos e tirou a própria vida, tornou-se alvo de uma onda de desinformação no TikTok. Vídeos com milhares de visualizações espalham teorias conspiratórias infundadas que tentam incriminar a mãe das crianças, revitimizando a mulher que perdeu a família.
As mentiras que circulam nas redes
Segundo matéria divulgada pelo Estadão, uma verificação identificou diversas narrativas falsas que acumulam curtidas e compartilhamentos na rede.
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Vídeos afirmam que a mãe teria ordenado as mortes para receber valores de seguros.
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Postagens usam imagens de reportagens de outros crimes, fora de contexto, para sugerir que a mulher matou o marido e os filhos por causa de uma traição.
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Conteúdos simulam uma falsa confissão de arrependimento da esposa.
O que diz a investigação oficial sobre Thales Machado
A Polícia Civil de Goiás (PCGO) encerrou o inquérito no último dia 27 e foi categórica: Thales Machado, de 42 anos, agiu sozinho.
O inquérito revelou que Thales planejou o crime sozinho e algumas informações encontradas em depoimentos mostraram que no dia da tragédia, ele apresentou comportamentos estranhos. Após ligar para a esposa ele chegou a enviar fotos dos filhos dormindo antes de atirar nas crianças.
Ainda segundo as investigações, não havia sinais de arrombamento na residência e a mãe das crianças estava em São Paulo no momento da tragédia, ocorrida em 12 de fevereiro.
Entenda a principal linha de investigação da Polícia no caso do secretário que matou filhos || Reprodução: Redes Sociais
Desinformação como violência de gênero
Especialistas alertam que o fenômeno não é apenas “boato”, mas sim desinformação de gênero, o que busca atacar mulheres em momentos de vulnerabilidade ou em cargos públicos.
“É um tipo de violência que usa narrativas falsas para revitimizar mulheres, criando a ótica de que a vítima é, na verdade, a culpada ou que está mentindo”, explicou a antropóloga Beatriz Accioly, líder de Políticas Públicas Pelo Fim da Violência Contra Mulheres no Instituto Natura ao Estadão.
Esse tipo de estratégia é comum em casos de grande repercussão e serve para monetizar canais que lucram com a misoginia e o sensacionalismo, além de desencorajar outras mulheres a denunciarem violências por medo de retaliação social.
Como denunciar desinformação: Se você encontrar vídeos que espalham mentiras sobre crimes ou ataques a honra de terceiros, utilize a ferramenta de denúncia da própria rede social (TikTok, Instagram ou YouTube) selecionando a opção “Informação Enganosa” ou “Assédio”.
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