Ícone do site Juruá Informativo

Uso de IA no cinema levanta debate sobre novas categorias no Oscar

uso-de-ia-no-cinema-levanta-debate-sobre-novas-categorias-no-oscar

Uso de IA no cinema levanta debate sobre novas categorias no Oscar

O avanço da inteligência artificial (IA) no cinema já provoca discussões sobre mudanças nas principais premiações da indústria, como o Oscar. Em 2026, produções feitas integralmente com IA começam a ganhar espaço, enquanto diretores e artistas debatem os limites da tecnologia no audiovisual.

Leia também

É o caso de Sinapses, série brasileira dirigida por Eduardo Pardell e disponível no YouTube. A produção, composta por episódios curtos, teve imagens, vídeos e trilha sonora criados com auxílio de inteligência artificial.

A nova tendência também aparece em projetos internacionais comandados por grandes nomes do cinema. Darren Aronofsky, indicado ao Oscar, participou da produção da série On This Day… 1776, que acompanha personagens inseridos no contexto do fim da colonização inglesa nos Estados Unidos. A produção usa inteligência artificial generativa para contar a história dos Estados Unidos.

Apesar dos avanços, a tecnologia ainda apresenta limitações. Atualmente, a IA consegue desenvolver principalmente curtas-metragens ou episódios de menor duração, enquanto produções mais complexas ainda dependem majoritariamente do trabalho humano.

Veja o primeiro episódio:

Polêmica em Hollywood

As iniciativas voltadas à inserção da inteligência artificial tanto na produção quanto na premiação audiovisual vêm crescendo. Um exemplo é o WAIFF 2026, considerado o primeiro festival mundial dedicado a filmes produzidos com IA.

Criado na França, o evento possui edições locais realizadas também no Brasil, Japão, Coreia do Sul e China. No Brasil, 33 produções participam da mostra competitiva, entre curtas e longas-metragens divididos nas categorias live-action e animação. Para concorrer, é obrigatório o uso de ao menos três ferramentas de IA no processo criativo.

Mesmo diante das limitações técnicas atuais, a criação de um festival dedicado ao tema reforça o interesse crescente da indústria cinematográfica na utilização da inteligência artificial.

Em Hollywood, o avanço da tecnologia já provoca debates. Filmes concorrentes a grandes premiações internacionais passaram a utilizar ferramentas de IA para automatizar etapas específicas da produção.

O próprio caminho inaugurado pelo WAIFF levanta discussões sobre a possibilidade de criação de categorias específicas em grandes premiações, como especulou o ator Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas) em entrevista recente.

“É certo que isso [IA] vai invadir o nosso segmento. Será que vira uma nova categoria? Daqui a cinco anos, vamos ter Melhor Filme de IA? Melhor Ator de IA? Talvez. Acho que pode ser esse o caminho: virar mais uma categoria de premiação. Vai estar diante da gente de formas que nem percebemos. Vai ficar tão bom que não vamos saber diferenciar”, afirmou.

Uso de IA minimiza chances de Oscar?

Em O Brutalista, concorrente ao Oscar de 2025, ferramentas de IA foram utilizadas para aperfeiçoar o sotaque húngaro e acelerar etapas da pós-produção. O editor Dávid Janscó defendeu o uso da tecnologia.

“É polêmico falar sobre inteligência artificial na indústria do entretenimento, mas não deveria ser (…). Não tem nenhum uso de IA no filme que já não tenha sido feito antes”, afirmou ele.

Por outro lado, a presidente do Writers Guild Awards se posicionou durante a premiação organizada pelo sindicato neste ano e pediu para que a categoria “se posicione e enfrente a IA”. No Bafta, por exemplo, o uso de inteligência artificial foi proibido nas categorias de atuação, embora permaneça permitido em outras áreas técnicas.

Com a aproximação do Oscar 2026, ainda não houve novas declarações oficiais sobre o tema. No último ano, entretanto, a Academia deixou claro que o uso de IA não interfere diretamente nas chances de indicação.

“Em relação à Inteligência Artificial Generativa e outras ferramentas digitais utilizadas na produção do filme, as ferramentas não contribuem nem prejudicam as chances de obter uma indicação. A Academia e cada órgão julgarão a conquista levando em consideração o grau em que um ser humano esteve no cerne da autoria criativa ao escolher o filme a ser premiado”.

Rumores de que a Academia exigiria a divulgação obrigatória do uso de inteligência artificial chegaram a circular no início de fevereiro, mas a medida não foi implementada.

Ainda assim, o avanço do tema indica que o debate deve ganhar espaço durante a próxima temporada de premiações, em um momento em que o uso da inteligência artificial tende a se expandir cada vez mais na indústria cinematográfica.

Sair da versão mobile