Três policiais femininas limparam o apartamento em que PM morreu

Três policiais militares são suspeitas de terem entrado no apartamento onde a PM soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta para realizar a limpeza do local. A policial foi baleada no dia 18 de fevereiro dentro do imóvel onde morava com o marido, na região do Brás, em São Paulo.

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A informação foi revelada pela inspetora de condomínio Fabiana, de 48 anos, em depoimento prestado à Polícia Civil do Estado de São Paulo, que conduz o inquérito sobre a morte da policial.

Segundo a testemunha, por volta das 17h48 do mesmo dia do disparo, três policiais militares, duas soldados e uma cabo, foram até o apartamento da vítima.

De acordo com o relato, as agentes teriam entrado no imóvel para realizar a limpeza do local onde a soldado havia sido encontrada ensanguentada horas antes. Fabiana afirmou ainda que acompanhou a entrada das policiais no apartamento.

A testemunha também disse que, naquele momento, o cenário ainda era o mesmo após o atendimento das equipes de socorro.

Imagens e áudios revelam novos detalhes sobre a morte de Gisele Alves Santana

Novas imagens e áudios divulgados pelo programa Fantástico, da TV Globo, no último domingo (8), também trouxeram novos elementos sobre o que teria ocorrido após o disparo que matou a policial.

O material mostra momentos posteriores ao ocorrido e inclui registros da atitude do marido, otenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto,  da soldada após a morte. A investigação segue em andamento para esclarecer as circunstâncias do caso.

Câmeras e depoimentos levantam dúvidas

Imagens das câmeras de segurança do prédio mostram o tenente-coronel no corredor do andar do apartamento. Às 8h02, ele aparece ao telefone e sem camisa. Três minutos depois, realiza outra ligação.

Às 8h13, três bombeiros chegam ao local para prestar socorro.

Um dos socorristas, com cerca de 15 anos de experiência, relatou em depoimento que achou a cena incomum e decidiu registrar fotos. Segundo ele, a arma estava posicionada na mão de Gisele de uma forma que nunca havia visto em casos de suicídio.

O tenente-coronel declarou que estava tomando banho no momento do disparo, porém, de acordo com relatos, ele estava seco e não havia água espalhada no chão do apartamento.

Em áudios gravados no local, o oficial também comentou sobre o relacionamento com a esposa e problemas financeiros.

“A gente está casado há dois anos. De seis meses para cá, a gente começou a ter muita crise”, disse.

Ele afirmou ainda que os dois discutiram sobre o relacionamento pouco antes do ocorrido.

“O jeito que a gente está vivendo não compensa. Eu estou gastando aí sete mil por mês para viver com dois estranhos. Eu quero me separar”, relatou.

Segundo ele, a discussão continuou na manhã do disparo.

Eu entrei no banho. Fazia um minuto que eu estava debaixo do chuveiro quando escutei o barulho. Achei que fosse ela batendo a porta. Quando abri o box, ela estava caída no chão, no sangue. Ela deu um tiro na cabeça”, afirmou.

Os socorristas conseguiram reanimar a policial no local. Durante o atendimento, relatos indicam que o marido não demonstrava grande desespero e permaneceu ao telefone com superiores.

A PM Gisele Santana e o marido Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronal da Polícia Militar. — Foto: Reprodução/TV Globo

A PM Gisele Santana e o marido Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronal da Polícia Militar. — Foto: Reprodução/TV Globo

Ligação para desembargador

A reportagem também revelou que, após o ocorrido, Geraldo Neto entrou em contato com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O magistrado chegou ao prédio às 9h07 e subiu até o apartamento. Às 9h18, ele reapareceu no corredor. Cerca de 11 minutos depois, o tenente-coronel foi visto novamente, já com outra roupa.

Testemunhas disseram que ele teria tomado banho nesse intervalo, mesmo após ter sido orientado por policiais a não fazê-lo. Também foi relatado por agentes que ele voltou com forte cheiro de produto químico.

Laudos da Superintendência da Polícia Técnico-Científica de São Paulo apontaram ainda que a cena não foi preservada adequadamente, o que dificultou a análise pericial para determinar a dinâmica do disparo.

Um vídeo gravado após a saída dos socorristas mostra o apartamento com móveis fora do lugar, além de panos e produtos de limpeza espalhados pelo chão.

“O apartamento estava uma verdadeira bagunça. O local não foi preservado”, afirmou o advogado da família, José Miguel da Silva Junior.

Intervalo entre disparo e pedido de socorro de Gisele Alves Santana

Outro ponto analisado pelos investigadores é o depoimento de uma vizinha, que relatou ter acordado às 7h28 após ouvir um forte estampido.

A primeira ligação pedindo socorro, porém, só foi feita às 7h57 — cerca de 29 minutos depois.

“Essa lacuna precisa ser explicada. A família merece saber o que aconteceu”, disse o advogado.

Em nota, a defesa do tenente-coronel afirmou que, até o momento, ele não é investigado, suspeito ou indiciado no caso. Segundo os advogados, ele tem colaborado com as autoridades desde o início e permanece à disposição para esclarecer os fatos.

A defesa do desembargador Cogan informou que ele foi chamado ao local como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados às autoridades responsáveis pela investigação.

Confira os áudios e vídeos:

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