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Saiba como documentarista obteve acesso a influenciadores “red pill”

Saiba como documentarista obteve acesso a influenciadores “red pill”

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Um documentário já disponível na Netflix vem movimentando as redes sociais. “Por Dentro da Machosfera” colocou o jornalista e documentarista britânico Louis Theroux dentro dos grupos da “machosfera”, subcultura que preza pela superioridade masculina e se popularizou com as plataformas digitais (os famosos “red pills”). Mas como ele conseguiu isso?

Documentário descreve a subcultura “red pill”

Segundo Theroux, em entrevista ao podcast “Tudum”, da Netflix, existem três principais aspectos que orquestram a lógica desses grupos: riqueza, boa forma física e potência sexual. O documentarista entende que é um comportamento quase primitivo.

“Existem milhões de horas de podcasts que abordam a crise da masculinidade — como vimos um declínio nos empregos e como houve esforços para corrigir a distorção patriarcal na sociedade, o que, por sua vez, desencadeou uma reação contrária”, comentou.

Jornalista entrevistando um personagem
Documentarita obteve relatos dos principais nomes do movimento (Imagem: Divulgação/Netflix)

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“Acho que muitos meninos e homens estão perdidos e, quando veem uma resposta fácil — um cara musculoso que parece ser rico dizendo que não é culpa deles e há outra pessoa responsável —, isso é muito atrativo”, analisou.

Na estrutura do filme, acompanhamos como Theroux obtém acesso ao topo da cadeia dessa rede de influência. Ele elucida como funciona a lógica da “machosfera”, além de revelar o negócio lucrativo que a movimenta.

O jornalista disse que seus entrevistados são pessoas que não costumam acreditar na mídia e, por isso, poderiam não confiar nele para a realização das entrevistas. Mas, segundo o documentarista, alguns argumentos que ele usou funcionaram a seu favor.

“Um deles foi o fato de que os programas que eu criei costumam agradar os mais jovens. Acho que eles conseguem ver em mim uma pessoa descontraída, de mente aberta, divertida e um pouco irreverente, que é agradável e não é moralista”, pontuou.

“Acho que tenho uma postura heterodoxa o suficiente para me identificar com as partes da cultura da internet que são provocativas. Outra coisa é que eles realmente não se importam com a possibilidade de serem cancelados, então acho que o risco para eles era baixo”, explanou.

Ainda, Theroux frisa que não visou, com o documentário, ridicularizar ou enganar seus entrevistados. Contudo, não acredita estar dando ainda mais voz a ideias e vozes com potencial perigoso.

“Tento dizer a verdade e os confronto da maneira apropriada. Não estou querendo arrumar briga, apenas entender, ter minhas perguntas respondidas e insistir nas partes que não fazem sentido para mim ou parecem perigosas. No fim do dia, quero criar um programa de TV que interesse às pessoas”, concluiu.

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