PM morta em SP: áudios e imagens mostram atitude do marido após disparos

Novas imagens e áudios divulgados pelo programa Fantástico no último domingo (8) mostram detalhes do que ocorreu após a morte da soldada da Polícia Militar do Estado de São Paulo Gisele Alves. A policial foi baleada na cabeça dentro do apartamento onde morava com o marido, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro.

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O principal personagem das gravações é o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima. Em uma das ligações feitas logo após o disparo, ele pede ajuda às autoridades.

“Alô. É o tenente-coronel Neto, estou no Brás. A minha esposa é policial feminina, ela se matou com um tiro na cabeça. Manda um resgate, uma viatura aqui agora, por favor”, diz ele ao ligar para a Polícia Militar.

Pouco depois, o oficial também telefonou para o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

“A minha esposa se matou com um tiro na cabeça. Ela ainda está viva, ela está respirando”, afirmou.

A PM Gisele Santana e o marido Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronal da Polícia Militar. — Foto: Reprodução/TV Globo

A PM Gisele Santana e o marido Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronal da Polícia Militar. — Foto: Reprodução/TV Globo

Câmeras e depoimentos levantam dúvidas

Imagens das câmeras de segurança do prédio mostram o tenente-coronel no corredor do andar do apartamento. Às 8h02, ele aparece ao telefone e sem camisa. Três minutos depois, realiza outra ligação.

Às 8h13, três bombeiros chegam ao local para prestar socorro.

Um dos socorristas, com cerca de 15 anos de experiência, relatou em depoimento que achou a cena incomum e decidiu registrar fotos. Segundo ele, a arma estava posicionada na mão de Gisele de uma forma que nunca havia visto em casos de suicídio.

O tenente-coronel declarou que estava tomando banho no momento do disparo, porém, de acordo com relatos, ele estava seco e não havia água espalhada no chão do apartamento.

Em áudios gravados no local, o oficial também comentou sobre o relacionamento com a esposa e problemas financeiros.

“A gente está casado há dois anos. De seis meses para cá, a gente começou a ter muita crise”, disse.

Ele afirmou ainda que os dois discutiram sobre o relacionamento pouco antes do ocorrido.

“O jeito que a gente está vivendo não compensa. Eu estou gastando aí sete mil por mês para viver com dois estranhos. Eu quero me separar”, relatou.

Segundo ele, a discussão continuou na manhã do disparo.

Eu entrei no banho. Fazia um minuto que eu estava debaixo do chuveiro quando escutei o barulho. Achei que fosse ela batendo a porta. Quando abri o box, ela estava caída no chão, no sangue. Ela deu um tiro na cabeça”, afirmou.

Os socorristas conseguiram reanimar a policial no local. Durante o atendimento, relatos indicam que o marido não demonstrava grande desespero e permaneceu ao telefone com superiores.

Ligação para desembargador

A reportagem também revelou que, após o ocorrido, Geraldo Neto entrou em contato com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O magistrado chegou ao prédio às 9h07 e subiu até o apartamento. Às 9h18, ele reapareceu no corredor. Cerca de 11 minutos depois, o tenente-coronel foi visto novamente, já com outra roupa.

Testemunhas disseram que ele teria tomado banho nesse intervalo, mesmo após ter sido orientado por policiais a não fazê-lo. Também foi relatado por agentes que ele voltou com forte cheiro de produto químico.

Laudos da Superintendência da Polícia Técnico-Científica de São Paulo apontaram ainda que a cena não foi preservada adequadamente, o que dificultou a análise pericial para determinar a dinâmica do disparo.

Um vídeo gravado após a saída dos socorristas mostra o apartamento com móveis fora do lugar, além de panos e produtos de limpeza espalhados pelo chão.

“O apartamento estava uma verdadeira bagunça. O local não foi preservado”, afirmou o advogado da família, José Miguel da Silva Junior.

Intervalo entre disparo e pedido de socorro

Outro ponto analisado pelos investigadores é o depoimento de uma vizinha, que relatou ter acordado às 7h28 após ouvir um forte estampido.

A primeira ligação pedindo socorro, porém, só foi feita às 7h57 — cerca de 29 minutos depois.

“Essa lacuna precisa ser explicada. A família merece saber o que aconteceu”, disse o advogado.

Em nota, a defesa do tenente-coronel afirmou que, até o momento, ele não é investigado, suspeito ou indiciado no caso. Segundo os advogados, ele tem colaborado com as autoridades desde o início e permanece à disposição para esclarecer os fatos.

A defesa do desembargador Cogan informou que ele foi chamado ao local como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados às autoridades responsáveis pela investigação.

Confira os áudios e vídeos:

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