O Navio Hospital Doutor Montenegro, da Marinha do Brasil, permanecerá em Cruzeiro do Sul realizando atendimentos médicos após a redução do nível do Rio Juruá inviabilizar, temporariamente, a navegação até Marechal Thaumaturgo.
A subida do rio estava prevista para esta semana, mas, segundo o comandante da embarcação, Capitão de Corveta Marcelo Camerino, as condições atuais não oferecem segurança para a continuidade da viagem.

A expectativa da operação é alcançar entre 15 mil e 20 mil atendimentos ao final da ação: Foto/Reprodução
“Nós estávamos com a programação para realizar a navegação até Marechal Thaumaturgo a partir de amanhã. Só que, vendo toda a nossa cinemática e como está a navegabilidade, não era compatível para a gente continuar essa navegação”, explicou.
Com a alteração no cronograma, a equipe de saúde seguirá atendendo comunidades da região. Nesta quarta-feira, os serviços serão realizados na comunidade de Campinas. Já na quinta e sexta-feira, os atendimentos ocorrem em Santa Luzia, nas Unidades Básicas de Saúde locais. A embarcação também volta a realizar exames de mamografia a bordo.

Desde o início da missão, em 12 de janeiro, quando partiu de Manaus, o navio já contabiliza mais de 1.600 consultas médicas, cerca de 300 mamografias e mais de 1.000 procedimentos odontológicos na região do Juruá. A expectativa da operação é alcançar entre 15 mil e 20 mil atendimentos ao final da ação.
A nova previsão para a viagem até Marechal Thaumaturgo é a partir dos dias 9 ou 10 de março. Depois de atender o município, o navio deverá seguir para localidades como Porto Walter, Triunfo e Paraná dos Mouras, além de outras comunidades do Alto Juruá. Posteriormente, retornará a Cruzeiro do Sul, onde os atendimentos devem continuar até meados de abril.
Durante o percurso, equipes utilizam lanchas para chegar a comunidades ribeirinhas de difícil acesso. Em muitos desses locais, a ação representa a única oportunidade de atendimento de saúde ao longo do ano.
“É uma missão de saúde, de vida. A gente leva esperança a quem precisa, às comunidades ribeirinhas e indígenas que às vezes não têm esse acesso. É muito importante poder ser esse braço do Estado e levar dignidade e respeito”, destacou o comandante.
A operação é realizada com apoio do Ministério da Defesa, por meio da Marinha, do Ministério da Saúde, além de governos estaduais, prefeituras e instituições parceiras, como a ONG Américas Amigas, responsável pela realização das mamografias.
De acordo com o comandante, a integração entre os governos federal, estadual e municipal é essencial para assegurar estrutura e suporte às ações desenvolvidas ao longo dos rios Juruá e Solimões.
