
A Justiça de Ponta Porã (MS) converteu em preventiva a prisão dos três jovens envolvidos em um crime de extrema crueldade contra uma mulher trans, conhecida como Letícia.
O grupo é acusado de cárcere privado, tortura física e psicológica, que culminou na marcação do corpo da vítima com o símbolo de uma suástica nazista utilizando uma faca quente.
O crime, que chocou o Mato Grosso do Sul, teve a participação direta do ex-companheiro da vítima. Segundo as investigações, ele teria atraído Letícia até uma residência sob o pretexto de receber o pagamento por um serviço de corte de grama, onde a emboscada foi realizada.
Com informações de TopMídiaNews.
Relato de horror e tortura
De acordo com o depoimento de Letícia à Polícia Civil, ao chegar no local ela foi levada a um escritório e coagida a realizar um ritual com sangue. Diante da recusa, as agressões começaram. A vítima foi espancada com um taco de sinuca e uma vassoura, sofrendo socos, joelhadas e pisões.
O ex-companheiro confessou ter ajudado a imobilizar Letícia, chegando a utilizar uma faixa de Jiu-Jitsu para tentar laçar seu pescoço. Durante a sessão de tortura, uma das envolvidas aqueceu uma faca no fogo para gravar a suástica no braço esquerdo da vítima, enquanto o celular de Letícia era destruído para impedir qualquer pedido de socorro.
Decisão judicial e prisão
Após ser liberada sob ameaças de morte, Letícia conseguiu buscar refúgio próximo à rodoviária da cidade, onde acionou a Polícia Militar. O ex-companheiro foi o primeiro a ser preso e confessou parte das agressões. Os outros dois envolvidos foram localizados na residência onde o crime ocorreu.
A conversão da prisão em preventiva garante que os acusados permaneçam detidos durante o processo, devido à periculosidade demonstrada e à gravidade das violações aos direitos humanos.
O caso segue sob investigação para apurar se há motivação ideológica neonazista ou se o símbolo foi utilizado como forma de tortura psicológica adicional contra a vítima.
