Gravada no DF, série com Heloísa Perissé une crítica social e comédia

Afiadas, nova série da TV Brasil gravada em Brasília, promete provocar reflexões sobre o machismo ao misturar crítica social e comédia. A produção acompanha o cotidiano de quatro mulheres que trabalham e convivem no mesmo ambiente, em histórias que partem de situações corriqueiras para abordar, com humor, temas como trabalho, afetos, política e a vida das mulheres brasileiras. A previsão de estreia é para a terceira semana de maio.

A partir de situações do dia a dia, a série constrói diálogos que abordam temas centrais para as mulheres brasileiras, como empreendedorismo, relações afetivas, economia do cuidado, meio ambiente, trabalho e participação política.

Mayra Cotta, advogada e produtora executiva da série, ressalta a importância do lançamento da produção em ano eleitoral. “Essa série nasceu da vontade de ocupar o espaço público com as pautas cotidianas das mulheres em um ano tão importante quanto o ano eleitoral. Usamos o humor como dispositivo narrativo porque ele nos permite tratar temas relevantes e urgentes de forma acessível, potente e sensível”, afirma.

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Outro ponto chave da série é o elenco de peso: Afiadas conta com participações fixas de Heloísa Perissé, Pretha Sousa, Verônica Debom e Carol Portes.

Além do quarteto principal, cada episódio da primeira temporada de Afiadas terá uma participação especial. Entre as convidadas estão Bela Gil, Daiane dos Santos, Daniela Mercury, Ana Fontes, Arielly Scarpati, Fayda Belo, Kananda Eller, Raquel Virgínia, Sheylly Caleffi, Suely Araújo, Verônica Oliveira, Yasmin Morais e Zahy Tentehar.

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Metrópoles

Heloisa Perissé está no elenco principal de Afiadas

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Heloisa Perissé está no elenco principal de Afiadas

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Carol Portes está no elenco principal de Afiadas

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Carol Portes está no elenco principal de Afiadas

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Pretha Sousa está no elenco principal de Afiadas

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Pretha Sousa está no elenco principal de Afiadas

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Verônica Debom está no elenco principal de Afiadas

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Verônica Debom está no elenco principal de Afiadas

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Porta para diálogo

Ao longo de oito episódios de 26 minutos, Afiadas evidencia como a estrutura machista atravessa as trajetórias das protagonistas de maneiras distintas. Uma delas vive constantemente sobrecarregada, cuidando de todos ao seu redor e assumindo responsabilidades que raramente são reconhecidas, enquanto outra tenta “fechar a conta”, equilibrando trabalho, casa e expectativas externas.

Flávia Zanini, produtora do programa, explica que a proposta da produção é abrir diálogo e dar visibilidade às lutas enfrentadas pelas mulheres no dia a dia. “Mesmo em posições de destaque, elas encaram os mesmos desafios que eu e você. Ser mulher nos atravessa em qualquer cargo, em qualquer tipo de trabalho. Temos muito mais convergências do que divergências. Os temas que a série retrata são comuns a todas nós, em maior ou menor escala”, destaca.

Apesar do elenco majoritariamente feminino, Flávia ressalta que o programa também se dirige ao público masculino. “Essa série é para todo mundo. Ela parte da experiência feminina, mas também é uma grande oportunidade de conversar com os homens sobre como essas questões cotidianas nos afetam. É uma janela para oferecer uma perspectiva mais pessoal sobre temas que já estão em debate”, afirma.

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Segundo a produtora, o maior desafio de Afiadas foi equilibrar assuntos sensíveis com a leveza do humor, sem esvaziar a seriedade das discussões. Para alcançar esse tom, a produção contou com duas frentes de trabalho: uma equipe de pesquisadoras, responsável por selecionar e aprofundar os temas abordados, e outra de roteiro, encarregada de transformar esses assuntos em situações dramáticas e cômicas para os personagens.

Gravações em Brasília

Afiadas terá cenas gravadas em Brasília. Diretor da série, Paulinho Caruso adianta que uma das protagonistas mora em Ceilândia e trabalha no centro da capital. Segundo ele, esses deslocamentos e recortes do cotidiano fazem com que Brasília também se torne protagonista da trama.

Caruso também comenta a experiência de comandar um elenco majoritariamente feminino. “Acredito que não só a minha função neste projeto, mas também a de todos os homens envolvidos, é ajudar a colocar de pé uma obra necessária, com pautas importantes não apenas para as mulheres, mas para a sociedade como um todo”, afirma.

O diretor explica ainda que a série nasceu do desejo de Mayra Cotta de desenvolver uma produção capaz de comunicar temas complexos e estimular debates sobre as questões que atravessam a vida das mulheres no Brasil. “A equipe de roteiro veio então com uma estratégia ao estilo Cavalo de Troia, usando a comédia para acessar o público e inserir conteúdos essenciais, com potencial de transformar a sociedade”, conta.

“O bobo da corte tinha a liberdade de criticar o rei sem sofrer punições. Nesse sentido, a comédia muitas vezes pode ser mais eficaz do que o drama para abordar assuntos delicados vividos pelas mulheres, como condições de trabalho, assédio e feminicídio — uma realidade infelizmente tão presente no nosso país”, conclui.