Golpe no WhatsApp mira credenciais do Gov.br na temporada do IR

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Uma campanha ativa de phishing que circula pelo WhatsApp tem como alvo as credenciais de acesso ao Gov.br. O esquema foi identificado pela INGENI, divisão de inteligência da consultoria brasileira Redbelt Security, e explora a proximidade do prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda 2025/2026 para pressionar as vítimas.

A fraude se disfarça de comunicação oficial do Governo Federal, usando nome, foto de perfil e identidade visual copiados. A mensagem alerta sobre uma suposta “pendência grave” no IRPF e ameaça o bloqueio total do CPF em até 24 horas — além de citar restrições ao uso do Pix, acesso a contas bancárias e inclusão em cadastros como Serasa, SPC e BACEN.

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Criminosos usam mensagens no WhatsApp para atrair vítimas e roubar suas credenciais de contas Gov.br (Imagem: Ink Drop/Shutterstock)

Como o golpe funciona?

Ao clicar no link enviado pela mensagem, a vítima é redirecionada a um site falso — como o domínio declare-brasil.site/gov/ — que imita visualmente os portais oficiais do governo. A página replica um formulário de login e solicita as credenciais do Gov.br. Em seguida, exibe uma simulação falsa de guia de pagamento de imposto.

Com os dados em mãos, os criminosos conseguem acesso a uma série de serviços federais vinculados à conta: declarações de IR, informações do INSS, carteira de trabalho digital e dados previdenciários, entre outros.

Aplicativo da Receita Federal
Golpe pode fornecer acesso indevido a serviços federais, inclusive declarações de IR (Imagem: Lais Monteiro / Shutterstock.com)

Como identificar a fraude?

A Redbelt Security aponta sinais claros que denunciam o golpe. O principal é o endereço do site: domínios legítimos do governo utilizam exclusivamente o sufixo gov.br, como receita.fazenda.gov.br. Qualquer variação fora desse padrão é suspeita.

Outro indicativo é o próprio canal de contato: a Receita Federal não utiliza o WhatsApp para cobrar ou comunicar pendências de IR. A linguagem da mensagem também destoa de comunicações oficiais — com emojis, letras em caixa alta e tom de urgência exagerado.

Além disso, a informação de que o CPF seria “bloqueado totalmente” é tecnicamente falsa e serve apenas para provocar pânico e impedir uma análise racional da situação.

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O que fazer se você recebeu a mensagem?

A INGENI orienta que, ao receber mensagens desse tipo, o usuário nunca clique nos links e sempre acesse os portais do governo digitando o endereço diretamente no navegador. Ativar a verificação em duas etapas na conta Gov.br é uma camada extra de proteção recomendada.

Quem já inseriu as credenciais deve alterar a senha imediatamente no portal oficial www.gov.br e contatar a Central de Atendimento do Governo pelo número 138. Também é recomendado registrar um boletim de ocorrência na delegacia virtual do estado e denunciar a conta suspeita diretamente pelo WhatsApp.

A divisão INGENI alerta que esse tipo de campanha tende a se intensificar durante o período de declaração do IR, quando o aumento das interações com temas fiscais amplia a exposição da população a fraudes digitais.