Mensagens de WhatsApp analisadas pela Polícia Federal revelaram um suposto esquema de corrupção envolvendo policiais civis e integrantes de um grupo investigado por crimes financeiros em São Paulo.
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Em uma das conversas encontradas no celular do empresário Robson Martins de Souza, apontado como operador do esquema, ele afirma ter conseguido trocar um HD apreendido pela polícia por outro com conteúdo inofensivo aos investigados. Segundo a mensagem, também teria retirado quase todos os documentos considerados comprometedores.

De acordo com relatório complementar da Polícia Federal, a troca do equipamento teria ocorrido dentro de uma delegacia e foi viabilizada mediante pagamento de propina.
As mensagens indicam que a manobra tinha como objetivo evitar que provas coletadas na primeira fase da Operação Fractal fossem utilizadas em novas etapas da investigação.
A primeira fase da operação foi deflagrada em outubro de 2022 pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com a Receita Federal.
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Segundo a investigação, os diálogos ocorreram principalmente em ambientes ligados ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), setor da Polícia Civil responsável por apurações relacionadas ao caso.
As conversas também mostram negociações diretas entre empresários, advogados e policiais civis para interferir em diligências e investigações.

Entre os policiais citados nas mensagens aparecem João Eduardo da Silva, delegado do 16º Distrito Policial da Vila Clementino; Ciro Borges Magalhães Ferraz, escrivão ligado ao DPPC; Rogério Coichev Teixeira, investigador do serviço aerotático; Roldnei Eduardo dos Reis Baptista, investigador associado ao DPPC; e José Renato Cortez Augusto, investigador do 16º DP.
Em um dos áudios analisados pelos investigadores, um advogado afirma ter negociado a redução de uma cobrança inicial de R$ 700 mil para cerca de R$ 100 mil, valor que teria sido pago para resolver problemas relacionados às investigações.
Outro diálogo mostra policiais pressionando investigados a comparecer à delegacia para conversar sobre o caso, indicando que a investigação “estava começando a andar”.
Segundo a Polícia Federal, esse tipo de contato era usado para abrir espaço para negociações informais fora dos registros oficiais do inquérito.
As mensagens foram encontradas durante perícia em aparelhos apreendidos em uma investigação sobre lavagem de dinheiro ligada a operadores que simulavam importações para enviar recursos ilegalmente ao exterior.
O material levou à deflagração de uma operação conjunta realizada na última quinta-feira (5) pela Polícia Federal, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio da Corregedoria da Polícia Civil.
A ação resultou na prisão de policiais e outros envolvidos no esquema e abriu uma nova frente de investigação sobre suspeitas de corrupção dentro da Polícia Civil paulista.
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