O lançamento da minissérie Emergência Radioativa, da Netflix, reacendeu o interesse por um dos episódios mais marcantes da história do Brasil: o acidente com césio-137 em Goiânia. Entre as principais dúvidas levantadas pelo público está o número real de vítimas da tragédia.
De acordo com registros oficiais do Governo de Goiás, quatro pessoas morreram diretamente em decorrência da radiação — duas por hemorragia e duas por infecção generalizada. No entanto, esse número é contestado por entidades como a Associação de Vítimas do Césio-137, que estima que o total de mortes possa chegar a 60 ao longo dos anos.
Veja fotos históricas do acidente com o Césio-137 e imagens recentes dos locais que ficaram marcados pela tragédia:

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Manchete do Jornal do Brasil sobre a tragédia
Reprodução

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Demolição do Ferro Velho onde cápsula de Césio-137 foi aberta pela 1ª vez
Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica

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Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137
Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica

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Leide das Neves, que inspirou a história de Celeste, personagem de Emergência Radioativa. Ela morreu cerca de 1 mês após contato com o Césio-137
Reprodução/TV Anhanguera

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Menina de 6 anos foi uma das quatro pessoas que morreram por causa da contaminação com o material radioativo, há quase 40 anos, em Goiânia
Reprodução/TV Anhanguera

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Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)

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Assim como mostrado na série, recipiente com Césio-137 ficou dias em uma cadeira na Vigilância Sanitária
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)

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Maria Gabriela, tia de Leide e esposa de Devair Alves Ferreira, dono do ferro velho onde a cápsula de Césio foi aberta
Arquivo/Polícia Federal

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Velório das vítimas
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)

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Local onde rejeitos do Césio foram depositados
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)

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Leide das Neves Ferreira tornou-se a vítima símbolo da tragédia. Ela tinha apenas 6 anos de idade
Vinícius Schmidt/Metrópoles

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Israel Batista trabalhava no ferro velho de Devair e manuseou, no local, a cápsula de Césio
Vinícius Schmidt/Metrópoles

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Maria Gabriela, tia de Leide das Neves, também morreu. Ela e a sobrinha foram enterradas no mesmo dia, em Goiânia
Vinícius Schmidt/Metrópoles

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Vítimas que morreram foram enterradas em túmulos especiais, com concreto reforçado
Vinícius Schmidt/Metrópoles

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Segundo lote concretado, no Setor Aeroporto, em Goiânia, onde ficava o ferro velho do Devair, que comprou as peças do aparelho que continha Césio
Vinícius Schmidt/Metrópoles

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Técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) fazem monitoramento periódico no local
Vinícius Schmidt/Metrópoles

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Atualmente o terreno pertence ao estado e é monitorado para que não haja qualquer intervenção no local
Vinícius Schmidt/Metrópoles

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Terreno isolado por concreto especial, no centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos atingidos pelo Césio-137
Vinícius Schmidt/Metrópoles

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Lote na Rua 57, no Centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos homens que coletou o aparelho abandonando contendo a cápsula de Césio em 13 de setembro de 1987
Vinícius Schmidt/Metrópoles
Isso porque muitos dos expostos desenvolveram, com o tempo, tumores, doenças crônicas e outros problemas de saúde associados à contaminação. Ao todo, cerca de 1,6 mil pessoas foram diretamente afetadas.
Logo após o acidente, 112.800 pessoas foram monitoradas. Dessas, 249 apresentaram algum nível de contaminação interna e/ou externa. Em 120 casos, a contaminação estava restrita a roupas e calçados, sendo resolvida após processos de descontaminação.
Outras 129 pessoas precisaram de acompanhamento médico contínuo. Entre elas, 14 foram consideradas em estado grave e transferidas para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Além disso, oito pessoas desenvolveram a Síndrome Aguda da Radiação (SAR), 14 tiveram falência da medula óssea e uma pessoa precisou amputar o antebraço.
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Dados também apontam que 28 pacientes apresentaram, em diferentes graus, a chamada Síndrome Cutânea da Radiação, conhecida pelas lesões de pele provocadas pela exposição.
O reconhecimento oficial das vítimas também foi gradual. Somente em 2000 o Ministério da Saúde passou a ampliar o número de pessoas reconhecidas além dos registros iniciais. Até 2002, mais de 800 indivíduos já haviam sido oficialmente considerados atingidos pelo acidente.
