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Calouro afastado de universidade após ameaçar estuprar colega admite crime em mensagens

Calouro afastado de universidade após ameaçar estuprar colega admite crime em mensagens

Novos desdobramentos de um caso que chocou a comunidade acadêmica de Santos, no litoral de São Paulo. Mensagens inéditas mostram que o calouro de Educação Física da Universidade Santa Cecília (Unisanta), de 20 anos, investigado por ameaças de estupro contra uma colega, admitiu o que chamou de “erro” em conversas privadas.

O tom das mensagens revela uma tentativa de minimizar a gravidade do caso, classificando ameaças explícitas como “zoação” e alegando que a vítima “chapou”, ou seja, teria exagerado ao levar o caso a público.

O crime começou a ganhar contornos de violência após um evento de Carnaval, no último dia 16. O que inicialmente parecia uma interação comum entre jovens rapidamente se transformou em um pesadelo para a universitária, que prefere não ser identificada. Após a jovem perder o interesse nas investidas e se afastar, o rapaz não aceitou a rejeição.

Ao perceber que estava sendo ignorado, ele iniciou uma sequência de ataques verbais, chamando a vítima de “feia” e “chupa-cabra”, escalando para ameaças físicas brutais, como a promessa de “puxar o cabelo da vítima até arrancar os fios” e o compartilhamento do número de telefone dela em grupos de WhatsApp para incentivar novos ataques.

Pplanejamento da violência e tentativa de justificativa

A situação atingiu o ápice da gravidade quando o investigado utilizou um grupo de mensagens com amigos para planejar e incentivar atos de violência sexual. Nos prints, o calouro sugeriu estuprar a jovem caso ela se recusasse a ter relações sexuais com ele, mencionando inclusive a intenção de agredi-la durante uma festa universitária ocorrida na última sexta-feira.

Em uma das mensagens mais perturbadoras, ele tentou envolver familiares da vítima, enviando fotos íntimas e proferindo ameaças diretas: “Mede pra mim agora, sua put*. Se não medir, faço a sua mãe medir”.

Apesar da tentativa posterior de se retratar em um vídeo nas redes sociais, classificando sua conduta como “coisa de moleque”, as novas capturas de tela revelam uma postura defensiva e manipuladora nos bastidores. Ao conversar com um amigo após ser removido do grupo, o estudante questionou o motivo de as pessoas estarem contra ele e tentou dividir a culpa, alegando que não foi o único a fazer comentários ofensivos.

Mais grave ainda foi a admissão de que, ao falar em “puxar o cabelo”, ele se referia ao ato sexual sem consentimento, embora insistisse que “nunca teve a intenção de agredir”, ignorando que o sexo não consensual é, por definição, uma agressão.

Rede de apoio à vítima e providências institucionais

A denúncia só chegou às autoridades e à coordenação do curso graças à coragem de outro calouro integrante do grupo. Ao ler as ameaças, o jovem registrou o conteúdo e encaminhou à universidade.

Diante da repercussão e da gravidade dos fatos, a Unisanta agiu impediu formalmente o aluno de frequentar as aulas e qualquer atividade acadêmica enquanto a apuração interna é realizada. A instituição reiterou que repudia qualquer forma de violência e que aplicará as medidas disciplinares máximas após a conclusão do processo. No campo jurídico, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos já iniciou as investigações e deve ouvir a vítima e o suspeito nos próximos dias para formalizar o inquérito.

Um abaixo-assinado com mais de 1.800 assinaturas já circula entre os estudantes exigindo a expulsão imediata do investigado. A vereadora santista Débora Camilo (PSOL), que presta apoio à vítima, destacou que o episódio é um reflexo de um problema estrutural de machismo que precisa ser combatido dentro das instituições de ensino.

Para a parlamentar, o fato de o agressor se sentir à vontade para expor tais intenções em um grupo de amigos mostra que a impunidade ainda é vista como um salvo-conduto, algo que a mobilização estudantil e a investigação policial tentam agora interromper.

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