Um evento de alto nível sobre conservação de animais silvestres: a cidade de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, vai sediar, na próxima semana, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP15. 

Ao anunciar a programação para a Conferência nesta quarta-feira (18/3), a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância da cooperação entre os territórios no debate, para a preservação das espécies que têm intenso fluxo de migração no planeta; e da preservação desses animais.
“As espécies, elas não têm uma governança territorializada. É uma governança em fluxo e, portanto, se não tiver cooperação, se não tiver parceria, fica muito difícil que a gente cuide não só da espécie quanto dos seus habitats. E as espécies migratórias também são uma espécie de bioindicadores, que nos mostram o quanto determinadas regiões ou países estão vulneráveis ou estão preservadas em condições adequadas.”
Segundo a ministra, os debates serão técnicos e baseados na ciência. De acordo com a organização, na COP15 serão analisadas propostas de atualização de documentos ligados às espécies ameaçadas de extinção e também espécies com estado de conservação desfavorável. Os participantes vão discutir, ainda, medidas para enfrentar ameaças às espécies migratórias e “recomendações para a ampliação de acordos regionais”.
O encontro vai ser entre os dias 23 e 28 de março, quando o Brasil vai assumir a presidência da conferência até o próximo encontro, daqui a três anos. O presidente da COP 15 e Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, destacou que o Brasil vai assumir o compromisso em três direções.
“Primeiro, nós convidamos 18 países não parte a participarem desta conferência, no sentido de buscar uma maior aproximação. Também o Brasil vai atuar em parceria com o secretariado para aumentar as contribuições para que essa convenção ganhe mais capacidade de atuação. E vai atuar num campo interno, no Brasil, com o esforço de aumento do conhecimento sobre espécies migratórias e também no esforço de envolvimento da população brasileira neste esforço de proteção de espécies migratórias.”
Com o tema “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”, a conferência busca “avançar em decisões estratégicas a partir da análise do estado de conservação das espécies e das medidas a serem implementadas pelos países-membros”.
A COP15 reúne 133 partes, sendo 132 países mais a União Europeia, e a previsão é que dois mil participantes debatam os desafios e as soluções para a conservação das espécies migratórias, seus habitats e as rotas de deslocamento usadas por esses animais.
