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O Brasil está em alerta máximo diante do avanço de casos de sarampo em países das Américas. Só até o início de março deste ano, foram mais de 7 mil infecções confirmadas no continente.
Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, o Ministério da Saúde tem reforçado medidas de prevenção para evitar a reintrodução da doença no país. Isso porque, desde novembro de 2024, o Brasil tem o certificado de país livre do sarampo.
Mas o cenário internacional preocupa. De acordo com a Agência Brasil, em 2025, foram registrados 14.891 casos da doença em 14 países do continente americano, com 29 mortes. Até o dia 5 de março deste ano, foram mais 7.145 infecções confirmadas.
No Brasil, o primeiro caso do ano foi identificado na semana passada em São Paulo, em uma bebê de seis meses que contraiu o vírus durante viagem à Bolívia – que enfrenta um surto. Mesmo assim, autoridades de saúde afirmaram que o país ainda não corre risco de perder o certificado, já que não há transmissão sustentada no território nacional.
A estratégia para manter o status livre de sarampo inclui vigilância ativa e ampliação da cobertura vacinal. O calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) prevê duas doses da vacina: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Embora a adesão à primeira dose tenha alcançado 92,5% no ano passado, apenas 77,9% das crianças completaram o esquema no prazo adequado. A recomendação é que pessoas de até 59 anos sem comprovação das duas doses busquem a imunização.
Além disso, o Ministério da Saúde tem reforçado campanhas, especialmente em regiões de fronteira, consideradas mais vulneráveis à entrada do vírus. Em casos suspeitos, o protocolo é:
- Com a identificação de uma possível infecção, equipes de saúde iniciam o chamado “bloqueio vacinal”, que consiste em imunizar pessoas que tiveram contato com o paciente e investigar possíveis novos casos;
- Em situações de risco, bebês entre 6 meses e 1 ano podem receber uma dose antecipada da vacina, conhecida como “dose zero”, embora ainda precisem cumprir o calendário regular posteriormente;
- Quando a suspeita é descartada após os exames laboratoriais, os esforços se encerram;
- Já em caso de confirmação do sarampo, o paciente e a comunidade seguem em monitoramento pelos próximos três meses para descartar novas infecções. Só depois desse período a ocorrência é encerrada.

Copa do Mundo e circulação internacional podem aumentar disseminação de sarampo
Outro fator de preocupação é o aumento da circulação internacional.
Eventos de grande porte, como a Copa do Mundo, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá – países que têm números elevados de casos -, podem intensificar o fluxo de viajantes e ampliar o risco de disseminação.
Para mitigar esse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem divulgado orientações em aeroportos e portos, destacando a importância da vacinação antes de viagens internacionais.
Mas também há o risco de turistas que vêm para o Brasil. Gatti revelou desafios internos:
Nós temos um país com muitas áreas turísticas que recebem estrangeiros, principalmente o nosso litoral, Amazônia, Pantanal, Foz do Iguaçu. E a gente tem uma ampla fronteira terrestre com várias cidades gêmeas, com circulação de muita gente. Por isso, não podemos nunca deixar de falar de sarampo e da vacinação e fazer ações para manter as altas coberturas.
Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI)
