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Pesquisadores da Universidade Cornell acabam de mapear os melhores candidatos a mundos habitáveis fora do Sistema Solar. O resultado? Apenas 45 planetas rochosos estão localizados na chamada “zona habitável” ao redor de suas estrelas — uma lista bem mais enxuta do que a gente poderia esperar.
O estudo, publicado em 19 de março na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, analisou mais de 6.000 exoplanetas já descobertos pelos astrônomos. Desse total gigantesco, só encontraram essa pequena fração que teoricamente poderia sustentar água líquida na superfície.
Se você achou 45 planetas pouco, prepare-se: a estimativa mais conservadora da pesquisa reduz esse número para apenas 24 mundos. A diferença está na definição mais rigorosa da zona habitável, considerando como diferentes tipos de luz estelar aquecem a atmosfera planetária.
Os vizinhos mais próximos (mas nem tanto assim)
Entre os planetas da lista, alguns nomes já são conhecidos dos fãs de astronomia. Proxima Centauri b, localizado a aproximadamente 4,2 anos-luz de distância, continua sendo nosso vizinho potencialmente habitável mais próximo.

O sistema TRAPPIST-1 também marcou presença com quatro representantes: os planetas d, e, f e g. Esses mundos orbitam uma estrela anã vermelha a cerca de 40 anos-luz da Terra, todos em distâncias que poderiam, teoricamente, permitir a existência de água líquida.
“Sabemos que a Terra é habitável, enquanto Vênus e Marte não são. Podemos usar nosso Sistema Solar como referência para procurar exoplanetas que recebem energia estelar entre o que Vênus e Marte recebem”, explicou Abigail Bohl, coautora do estudo.
A realidade da viagem interestelar
Antes que você comece a fazer as malas para Proxima Centauri b, vamos falar sobre logística. A luz demora cerca de 4 anos para chegar até lá, viajando a aproximadamente 300.000 quilômetros por segundo. Nós, humanos, temos algumas limitações de velocidade.

A Apollo 10, a nave tripulada mais rápida já construída pela humanidade, atingiu uma velocidade máxima de cerca de 39.900 km/h. Com essa tecnologia, levaria aproximadamente 114.000 anos para chegarmos ao nosso exoplaneta vizinho mais próximo.
A menos que a gente descubra como viajar na velocidade da luz — ou mais rápido que ela, algo que muitos físicos consideram impossível — essas viagens continuam no reino da ficção científica por enquanto.
Mais que uma lista: um guia para telescópios
A pesquisa não serve apenas para alimentar nossa curiosidade sobre mundos distantes. Os 45 planetas identificados funcionam como um roteiro prioritário para observações futuras com o Telescópio Espacial James Webb e o futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, que deve ser lançado em 2027.

“Embora seja difícil dizer o que torna algo mais provável de ter vida, identificar onde procurar é o primeiro passo fundamental — então o objetivo do nosso projeto foi dizer ‘aqui estão os melhores alvos para observação’”, disse Gillis Lowry, outro coautor do estudo.
Estudar planetas com órbitas elípticas ao redor de suas estrelas, por exemplo, pode revelar se mudanças dramáticas de temperatura impedem qualquer chance de organismos evoluírem. Cada observação adiciona peças ao quebra-cabeça da habitabilidade planetária.
O contexto mais amplo da busca por vida
Os limites da zona habitável variam dependendo do tipo de estrela que um planeta orbita. Estrelas de cores diferentes emitem comprimentos de onda distintos de luz, aquecendo as atmosferas planetárias de maneiras específicas. Uma estrela mais vermelha, por exemplo, poderia fazer com que micróbios e plantas na superfície de um planeta refletissem cores bem diferentes das florestas verdes que conhecemos na Terra.

Mesmo planetas que parecem menos promissores à primeira vista podem oferecer insights valiosos sobre as condições necessárias para a vida. Cada mundo estudado expande nosso entendimento sobre os fatores que tornam um planeta habitável — ou inabitável.
A vida na Terra continua sendo algo precioso quando consideramos o que os astrônomos sabem sobre o universo visível. Embora tenhamos identificado milhares de mundos além do nosso sistema solar, apenas uma pequena fração pode oferecer as condições certas para sustentar vida como a conhecemos.
Por enquanto, esses 45 candidatos representam nossos melhores palpites sobre onde a vida alienígena pode estar florescendo em algum canto distante da galáxia. Quem sabe um dia a tecnologia nos permita fazer mais do que apenas observar esses mundos de longe.
