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A disputa pelo controle de um dos maiores impérios do entretenimento mundial ganhou um novo capítulo nesta terça-feira. A Warner Bros. Discovery (WBD) rejeitou oficialmente a mais recente oferta da Paramount Skydance, mas concedeu à empresa liderada por David Ellison um prazo de sete dias para apresentar sua “melhor e final” proposta.
Dia 23 de fevereiro é a data limite. Até lá, a Paramount precisa superar não apenas o valor financeiro da rival Netflix, mas também sanar dúvidas críticas sobre a viabilidade de seu capital. Atualmente, a WBD mantém o curso para uma votação de acionistas em 20 de março para aprovar a fusão com a Netflix, um negócio avaliado em US$ 82,7 bilhões focado especificamente no estúdio e no serviço de streaming.

Jogo de bilhões
Embora a Paramount tenha sinalizado informalmente que poderia chegar a US$ 31 por ação, superando sua oferta anterior de US$ 30, a diretoria da Warner permanece cética. Segundo a agência Reuters, o comando da WBD, liderado pelo CEO David Zaslav e pelo presidente do conselho Samuel Di Piazza Jr., afirmou em carta que a proposta da Paramount ainda não é considerada “superior” à da Netflix.
Para tentar seduzir os acionistas, a Paramount ofereceu cobrir a taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões que a WBD teria de pagar à Netflix caso desistisse do acordo atual. Além disso, a oferta da Paramount visa a totalidade da companhia, incluindo ativos de TV a cabo como a CNN, enquanto o plano da Netflix prevê que a WBD faça um spin-off dessas operações antes da fusão.
Incertezas
O embate ultrapassou as planilhas financeiras e entrou na esfera geopolítica. De acordo com o The Verge, a Netflix tem levantado alertas sobre a origem do capital por trás da Paramount. A gigante do streaming citou preocupações de segurança nacional relacionadas a parceiros do Oriente Médio, como o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita.
Essa narrativa ganhou força com uma carta recente do deputado Sam Liccardo (D-CA), que questiona a influência estrangeira no acordo. Além disso, a Warner Bros. apontou incertezas sobre quem arcaria com taxas de financiamento bilionárias caso o aporte de dívida falhasse, apesar da garantia pessoal de US$ 40 bilhões de Larry Ellison, fundador da Oracle e pai de David Ellison, que apoia a investida do filho.

Pressão dos acionistas
Internamente, a pressão aumenta. Investidores ativistas como a Ancora Holdings e a Pentwater Capital Management têm criticado o conselho da Warner por não negociar seriamente com a Paramount. Paolo Pescatore, analista da PP Foresight, comentou à Reuters que o tempo está se esgotando: “Esta saga está se arrastando por tempo demais, o que não é do interesse de ninguém. Por enquanto, a bola está com a Paramount.”
Se nenhum fato novo surgir na próxima semana, a tendência é que o conselho da Warner Bros. Discovery siga com a recomendação de voto favorável à Netflix em março, consolidando uma das maiores reestruturações da história recente da mídia.
