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Tragédia em Itumbiara: o que é violência vicária relacionada ao caso

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Tragédia em Itumbiara: o que é violência vicária relacionada ao caso

O crime ocorrido em Itumbiara, envolvendo os dois meninos baleados pelo próprio pai, Thales Machado, trouxe novamente à tona a discussão sobre violência vicária, expressão usada quando a agressão é direcionada a terceiros para atingir emocionalmente a mulher, sobretudo a mãe das vítimas.

O tema vem ganhando espaço em debates no Congresso Nacional, onde há propostas para que o conceito apareça de forma explícita na legislação de proteção às mulheres. Especialistas apontam que nomear esse tipo de conduta ajuda a dar visibilidade ao problema e a orientar políticas públicas.

A mãe das crianças, Sarah Araújo, também passou a enfrentar desdobramentos fora do âmbito criminal. Segundo relatos, ela recebeu ameaças durante o velório de um dos filhos e virou alvo de ataques virtuais, incluindo a criação de perfis falsos em redes sociais para se passar por ela. O caso ampliou a discussão sobre proteção às vítimas indiretas e sobre o impacto psicológico da violência doméstica nas famílias.

O que é violência vicária?

A chamada violência vicária é caracterizada quando o agressor atinge pessoas próximas à mulher, como filhos, parentes ou integrantes da rede de apoio, com a finalidade de causar dor emocional a ela.

Trata-se de uma forma de violência “por meio de terceiros”, em que o alvo imediato não é a única vítima, já que o objetivo principal é gerar sofrimento psicológico, intimidação ou sensação de punição à mulher.

Na prática, especialistas explicam que esse tipo de conduta funciona como instrumento de controle, pois o agressor busca afetar a mãe ou responsável ao atingir quem está ao seu redor. Assim, o impacto vai além do dano direto e alcança toda a estrutura familiar.

O tema vem avançando no debate legislativo. A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara deu aval a um projeto que pretende deixar explícita a violência vicária nas definições de violência doméstica e familiar contra a mulher.

A proposta em análise na Câmara dos Deputados descreve como alvos comuns filhos, dependentes e outros parentes ligados à mulher, quando a agressão ocorre com a intenção de atingi-la indiretamente. A inclusão do termo na legislação é vista por especialistas como uma forma de dar mais clareza jurídica ao problema e ampliar a proteção às vítimas.

Impactos psicológicos nas mães

Quando a violência atinge os filhos, os efeitos emocionais sobre a mãe tendem a ser ainda mais profundos. Especialistas apontam que podem surgir sentimentos de culpa, impotência e luto prolongado, além de situações de revitimização, como críticas sociais e responsabilização indevida dirigidas à mulher.

Em ocorrências de grande repercussão, a exposição pública também costuma ampliar a dor das famílias. A disseminação de informações não verificadas e ataques nas redes sociais podem intensificar o desgaste psicológico de quem já enfrenta a perda e o trauma.

O episódio em Goiás foi classificado como violência vicária pela Defensoria Pública de Goiás por envolver a morte de crianças em meio a conflito familiar. O entendimento reforça a leitura de que a agressão teve impacto indireto e direcionado à mãe.

Proposta de inclusão na lei

Hoje, a Comissão de Constituição e Justiça ainda deve analisar o projeto que busca incluir explicitamente a violência vicária entre as formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. Depois dessa fase, a proposta segue para votação em plenário e, se aprovada, vai ao Senado Federal antes de poder virar lei. A proposta pretende ampliar a proteção legal às mulheres ao reconhecer formalmente esse tipo de prática e seus impactos nas famílias.

Relembre o caso

Uma tragédia registrada em Itumbiara, no sul de Goiás, chocou moradores e ganhou destaque em todo o país após a morte de duas crianças dentro de um apartamento residencial. O então secretário de Governo do município, Thales Machado, é apontado como autor dos disparos contra os próprios filhos antes de também morrer, segundo as informações divulgadas pelas autoridades.

O episódio ocorreu à noite, dentro do imóvel onde a família vivia. O pai estava apenas com os dois meninos quando os tiros foram ouvidos. Após o ocorrido, equipes de emergência foram chamadas para prestar socorro às vítimas. Há relatos de que uma carta teria sido deixada no local.

O garoto de 12 anos chegou a ser levado a uma unidade de saúde, mas não sobreviveu aos ferimentos. Já o irmão, de 8 anos, foi internado em estado crítico, recebeu atendimento intensivo, porém morreu horas depois. O caso provocou grande comoção na cidade e ampla repercussão nacional, além de mobilizar investigações para esclarecer todos os detalhes do crime.

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