Termina o movimento retrógrado de Urano – o que isso significa?

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Na noite desta terça-feira (3), Urano começa um processo pelo qual seu movimento para o oeste através do céu é interrompido, e o astro retoma sua trajetória normal para leste, concluindo o período popularmente chamado de “movimento retrógrado”.

Essa aparente inversão de direção é um fenômeno pelo qual todos os planetas do Sistema Solar passam periodicamente. Para a astronomia, no entanto, o termo mais adequado seria “laço” retrógrado – porque, durante o curso percorrido, o planeta parece formar um laço no céu. 

Composto de imagens espaçadas com cerca de 5 a 9 dias de diferença captadas em 2018, do fim de abril (inferior direito) até 5 de novembro (canto superior esquerdo), traça o movimento retrógrado de Marte, mostrando o “laço” que os planetas formam durante o movimento retrógrado. Imagem: NASA APOD/Tunc Tezel (TWAN)

Segundo o site In-The-Sky.org, no caso daqueles cujas órbitas são mais externas que a da Terra (Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno), isso se dá poucos meses depois de passarem pela oposição, que é quando eles estão do lado oposto do Sol em relação ao nosso planeta (que fica entre os dois corpos celestes).

Ainda de acordo com o guia de orientação do céu noturno, o reajuste de direção de Urano, que entrou em movimento retrógrado em 6 de setembro, iniciará às 22h52 (pelo horário de Brasília).

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Movimento “retrógrado” é ilusório

O colunista do Olhar Digital Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON), explica que o movimento retrógrado dos planetas é apenas ilusório e é causado pelo curso da Terra em torno do Sol.

À medida que ela circunda o astro, nossa perspectiva muda, e isso faz com que as posições aparentes dos objetos celestes se alterem de um lado para o outro no céu, o que se sobrepõe ao movimento de longo prazo do planeta em direção ao leste através das constelações.

“Por estar em uma órbita mais interna e, consequentemente, mais rápida, a Terra ultrapassa Urano a cada 370 dias, aproximadamente. E quando isso acontece, Urano parece estar caminhando no sentido contrário no céu por alguns dias. Isso ocorre com todos os planetas com órbitas mais externas à Terra”, descreveu. Quanto mais longe do Sol, mais tempo o planeta passa em movimento retrógrado.

A animação abaixo ilustra isso, com a flecha mostrando a linha de visão da Terra para um planeta, e o diagrama à direita mostrando o aparentemente movimento do objeto através do céu pela nossa perspectiva de visão.

Animação ilustra o conceito de “movimento retrógrado” dos planetas. Crédito: In-The-Sky.org

Descoberta muda tudo o que se sabe sobre Urano e Netuno

Uma pesquisa da Universidade de Zurique (UZH) em colaboração com o Centro Nacional de Competência em Pesquisa (NCCR) PlanetS, ambos na Suíça, desenvolveu um método de simulação que reposiciona o entendimento sobre Urano e Netuno. 

Ao combinar modelos físicos e empíricos, os cientistas sugerem que esses mundos, tradicionalmente classificados como “gigantes de gelo”, podem ter interiores predominantemente rochosos. O trabalho, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, confronta compreensões consolidadas sobre a composição desses planetas e oferece pistas para explicar seus campos magnéticos atípicos, além de reforçar a necessidade de novas missões espaciais dedicadas. Saiba mais aqui.