A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar a conduta de Suzane von Richthofen em relação ao patrimônio de seu tio, o médico Miguel Abdalla Neto, falecido em janeiro deste ano. O foco da investigação é um possível furto de objetos e documentos da residência do médico, localizada no bairro Campo Belo, na capital paulista. A apuração ocorre em meio a uma disputa judicial por uma herança avaliada em aproximadamente R$ 5 milhões.
Nesta terça-feira (10), Silvia Magnani, prima de Suzane, deve prestar depoimento na 27ª Delegacia de Polícia. Ela pretende entregar aos investigadores uma lista minuciosa de itens que teriam sido retirados do imóvel sem autorização. O caso é considerado sensível para a situação jurídica de Suzane, que cumpre pena de 39 anos em regime aberto pelo assassinato dos pais. Caso seja indiciada e condenada por um novo crime, ela corre o risco de perder o benefício e retornar ao regime fechado.
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O sumiço de itens de luxo e bens pessoais de Miguel
De acordo com informação da coluna ‘True Crime‘, de Ulisses Campbell do jornal O Globo, a residência de Miguel Abdalla Neto teria sido alvo de sucessivas invasões logo após o seu falecimento. Silvia Magnani relata que, além de documentos, foram levados móveis de alto valor, como um conjunto de mesa em cerejeira, eletrodomésticos, obras de arte e coleções de itens raros, incluindo bonecas importadas e discos de vinil.
Um dos pontos de maior tensão no inquérito envolve um veículo da marca Subaru, avaliado em R$ 200 mil, que foi retirado da garagem da vítima. Em depoimento anterior, Suzane von Richthofen admitiu ter levado o automóvel, justificando a ação como uma medida de proteção ao patrimônio que, segundo sua tese jurídica, lhe pertencerá no futuro. Além da retirada de bens, há relatos de que o portão da residência teria sido chumbado para impedir o acesso de outros familiares.
A disputa pela herança
Apesar das investigações policiais, Suzane obteve uma vitória parcial na esfera cível ao ser nomeada inventariante do espólio de Miguel. Como o médico não deixou testamento, a legislação prevê que a herança seja dividida entre os parentes mais próximos. A disputa está concentrada entre Suzane e Silvia, uma vez que o irmão de Suzane, Andreas von Richthofen, não manifestou interesse formal em participar do processo sucessório até o momento.
Silvia Magnani, no entanto, contesta a capacidade de Suzane para gerir os bens da família. A defesa da prima pretende levar ao processo informações sobre o suposto descaso de Suzane com outras obrigações familiares, citando inclusive atrasos em taxas de manutenção do túmulo de Manfred e Marísia von Richthofen. A argumentação visa demonstrar que a conduta de Suzane seria incompatível com a responsabilidade de preservar o patrimônio deixado pelo tio.
Cronologia dos fatos e desdobramentos jurídicos
A reconstrução dos eventos apresentada à polícia indica que a disputa começou imediatamente após a morte de Miguel, em 9 de janeiro de 2026. Vizinhos relataram a presença de homens encapuzados pulando o muro da residência antes mesmo de qualquer autorização judicial para entrada no local. Silvia afirma ter sido a responsável por todos os trâmites burocráticos do sepultamento, enquanto Suzane teria focado na ocupação do imóvel e na guarda dos bens.
Os investigadores devem intimar Suzane para um novo interrogatório após a análise das provas entregues por Silvia. O depoimento será decisivo para determinar se houve crime de furto ou se as ações de Suzane podem ser enquadradas apenas como exercício arbitrário das próprias razões no âmbito da disputa sucessória.
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