Sol produz 10 erupções do tipo mais violento em menos de uma semana

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O Sol registrou uma sequência intensa de atividade nos primeiros dias de fevereiro, com a ocorrência de até dez erupções solares da classe X – o tipo mais violento que existe. Esses eventos aconteceram em menos de uma semana e chamaram a atenção de cientistas que monitoram o comportamento do astro e o clima espacial diariamente.

Todas as erupções tiveram origem em uma mesma região ativa da superfície solar, o agrupamento de manchas AR4366. Embora essa área esteja agora em processo de enfraquecimento, ela ainda apresenta uma configuração magnética complexa. Por isso, segue sendo acompanhada por especialistas e pode até ser vista com óculos próprios para eclipse.

O Sol produziu em torno e 10 erupções solares do tipo mais poderoso entre domingo (1) e quarta-feira (4), sendo uma de classe X8.1, a terceira mais poderosa do Ciclo Solar 25. Crédito: NASA/SDO

Registros oficiais da NASA e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmaram precisamente seis dessas erupções extremas entre domingo (1) e quarta-feira (4). Somente no primeiro dia, foram detectados dois eventos fortes, incluindo um de magnitude X8.1, o terceiro mais intenso já observado neste ciclo solar.

Nos dias seguintes, a atividade intensa continuou. Na segunda (2), foram registradas erupções de magnitude X2.8 e X1.6. Já na terça (3), os instrumentos detectaram pelo menos um evento X1.5 e outro de intensidade próxima da classe X1, com valor exato impreciso. Na quarta-feira (4), ocorreu uma erupção X4.2, além de outro pico classificado como X, também sem medição definitiva.

Além dos eventos mais destacados, dados preliminares dos satélites GOES – operados pela NOAA em parceria com a NASA – indicam a ocorrência de erupções adicionais da classe X, com intensidade próxima de X1. Esses picos menores, registrados durante o período de maior atividade da região AR4366, nem sempre são divulgados individualmente e podem aparecer agrupados nos registros técnicos, o que explica por que o total estimado de erupções desta semana chega a dez, de acordo com a plataforma EarthSky.org.

Erupção solar de classe X8.1, ocorrida em 1º de fevereiro de 2026. Crédito: NASA/SDO

Vamos entender:

  • O Sol tem um ciclo de 11 anos de atividade;
  • Ele está atualmente no que os astrônomos chamam de Ciclo Solar 25;
  • Esse número se refere aos ciclos que foram acompanhados de perto pelos cientistas;
  • No auge dos ciclos solares, o astro tem uma série de manchas na superfície, que representam concentrações de energia;
  • À medida que as linhas magnéticas se emaranham nas manchas solares, elas podem “estalar” e gerar rajadas de vento;
  • De acordo com a NASA, essas rajadas são explosões massivas do Sol que disparam jatos de plasma e campos magnéticos (também chamados de “ejeção de massa coronal” – CME) e partículas carregadas de radiação para fora da estrela;
  • As explosões são classificadas em um sistema de letras – A, B, C, M e X – com base na intensidade dos raios-X que elas liberam, com cada nível tendo 10 vezes a intensidade do anterior;
  • A classe X denota os clarões de maior intensidade, enquanto o número fornece mais informações sobre sua força;
  • Um X2 é duas vezes mais forte que um X1, um X3 é três vezes mais forte, e, assim, sucessivamente;
  • Como o Sol dá uma volta em seu próprio eixo a cada 27 dias, as manchas solares desaparecem de vista por determinado período, voltando em seguida a ser visíveis para a Terra.
Após uma semana de agitação intensa, a mancha solar AR4366 está enfraquecendo. Crédito: NASA/SDO

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Erupções solares se formam como avalanches, revela estudo

Assim como avalanches começam com pequenas porções de neve que crescem rapidamente, a sonda Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia (ESA), descobriu que erupções solares se iniciam com perturbações pequenas que se tornam violentas em pouco tempo. Esse processo forma um “céu” de gotas de plasma que continuam a cair mesmo depois que a explosão diminui.

A observação detalhada de uma grande erupção solar foi feita em 30 de setembro de 2024, quando a Solar Orbiter se aproximou do Sol. Os dados, relatados em um artigo publicado na revista Astronomy & Astrophysics, permitirão entender melhor como essas explosões acontecem. Saiba mais aqui.