O secretário de Estado de Saúde do Acre, Pedro Pascoal, afirmou nesta sexta-feira (20), em entrevista exclusiva ao ContilNet, que não está descartada a possibilidade de surgirem casos de Mpox no estado. A declaração ocorre após a confirmação de registros da doença em Porto Velho, capital de Rondônia, unidade federativa vizinha ao Acre. Até o momento, foram seis notificações e quatro diagnósticos confirmados na capital rondoniense.

Secretaria de Saúde do Estado/Foto: ContilNet
Anteriormente chamada de “varíola dos macacos”, a Mpox é uma infecção viral provocada pelo vírus MPXV, pertencente ao grupo dos Orthopoxvirus, o mesmo da varíola humana. O agente apresenta dois grandes ramos genéticos: o clado I, subdividido em Ia e Ib, e o clado II, dividido em IIa e IIb.
Atualmente, o contágio ocorre principalmente pelo contato direto com lesões cutâneas, secreções ou fluidos corporais de pessoas infectadas. Também existe risco em situações de proximidade prolongada com secreções respiratórias. O sintoma mais marcante é o aparecimento de lesões na pele, que passam por diferentes fases: iniciam-se como manchas, evoluem para bolhas com pus e, posteriormente, formam crostas.
Um dos principais entraves no enfrentamento da doença é o diagnóstico clínico, já que as lesões podem ser confundidas com enfermidades como catapora, herpes e outras infecções dermatológicas: Foto/Reprodução
“A Vigilância Sanitária segue monitorando rigidamente essa situação em todo o Acre. Existe, sim, a possibilidade de chegar ao estado, mas é uma doença que, apesar de ter uma repercussão grande, não é altamente infecciosa”, declarou o secretário.
Um dos principais entraves no enfrentamento da doença é o diagnóstico clínico, já que as lesões podem ser confundidas com enfermidades como catapora, herpes e outras infecções dermatológicas. Por isso, a orientação é buscar avaliação médica ao notar sintomas suspeitos.
Na maior parte dos casos, a evolução é considerada leve e autolimitada, com melhora espontânea ao longo de algumas semanas.
“Por isso que se tem uma certa segurança. Não vai virar uma pandemia como foi a da covid-19, mas quem sentir qualquer sintoma deve procurar uma unidade de saúde”, acrescentou.
Questionado sobre a possibilidade de instalação de barreiras sanitárias na divisa entre Acre e Rondônia, o secretário explicou que a medida não é permitida nas atuais circunstâncias.
“Por conta da legislação e da política pública de saúde, a gente não pode fazer barreira sanitária. Existem situações pontuais que determinam a instalação de uma barreira sanitária, e essa ainda não justifica. Mas seguimos monitorando de forma intensa e treinando os médicos para identificar e tratar os casos precocemente”, afirmou.
A transmissão da Mpox não ocorre de maneira tão aérea quanto a de outras viroses respiratórias, porém exige cautela. Contato direto pele a pele, beijo prolongado, relações íntimas e compartilhamento de objetos pessoais elevam o risco de infecção, sobretudo quando há lesões ativas.
Embora seja classificada como doença infectocontagiosa, não apresenta o mesmo potencial de disseminação em massa por contatos casuais mínimos. O controle depende da identificação de casos suspeitos e do acompanhamento de pessoas que tiveram contato com infectados.
Em caso de sintomas como febre associada a lesões na pele, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação. As autoridades sanitárias reforçam que há uma “certa segurança” de que a doença não deverá alcançar proporções semelhantes às da covid-19, considerando suas características biológicas e o padrão de transmissão mais restrito.