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Sandálias de Tutancâmon: como o faraó “pisoteava” seus inimigos mesmo após a morte

Sandálias de Tutancâmon: como o faraó “pisoteava” seus inimigos mesmo após a morte

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Em 1922, uma equipe liderada pelo arqueólogo britânico Howard Carter, um dos principais nomes da egiptologia do século XX, encontrou um tesouro inestimável – a tumba do faraó Tutancâmon, um dos últimos governantes da 18ª dinastia, praticamente intacta.

Entre os milhares de artefatos que acompanhariam o jovem rei em sua jornada para a vida após a morte, um par de sandálias em particular destaca-se pela simbologia poderosa e singularidade. Longe de serem meros calçados, eram uma declaração visual de poder, com representações de inimigos derrotados nas suas palmilhas, permitindo que Tutancâmon – mesmo em seu repouso eterno –  simbolicamente “pisoteasse” os adversários do Egito. 

Hoje, essas fascinantes peças podem ser admiradas no Museu Egípcio do Cairo, oferecendo um vislumbre da mentalidade real e ritualística da época.

Par de sandálias encontrado no túmulo de Tutancâmon, um símbolo do luxo real, agora em exposição no Museu Egípcio no Cairo. Crédito: Mihirjoshi – Shutterstock

Sandálias reais: simbolismo e materiais de uma peça única da realeza egípcia

The 3,300 years old sandals of king Tutankhamen, displayed in Egyptian museum. pic.twitter.com/Yl787UVKlo

— Historic Hub (@HistoricHub) February 4, 2026

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A mensagem política gravada nas sandálias de Tutancâmon

A simbologia impressa nas sandálias de Tutancâmon vai muito além de um mero adorno. Cada detalhe narra uma história de domínio e autoridade, fundamental para a imagem de um faraó. A escolha de materiais nobres, do couro verde à folha de ouro, ressalta a importância e o status do portador, refletindo a riqueza e o artesanato sofisticado do período de Tutancâmon.

As representações dos cativos amarrados, combinadas com o símbolo dos Nove Arcos, transmitiam uma mensagem inequívoca de controle e proteção sobre o reino. Essa prática não era incomum na iconografia real egípcia, mas a aplicação em um item tão pessoal como um calçado reforça a ideia de que o faraó exercia poder de forma constante e abrangente, até mesmo a cada passo.

Caixa de quartzito que abrigava o sarcófago triplo de Tutancâmon, onde os artefatos, incluindo as sandálias, foram encontrados. Crédito: Griffith Institute, University of Oxford/Reprodução

Especialistas do Museu Egípcio do Cairo observam que os cativos amarrados nas sandálias faziam uma clara referência ao poder inabalável do rei Tutancâmon. A posição dos Nove Arcos, situados de forma que os pés do rei os pisem, simboliza a subjugação total dos inimigos do Egito pelo monarca, reforçando a ideia de domínio absoluto e proteção do império para a eternidade.

Essas sandálias, portanto, não eram apenas acessórios, mas artefatos ritualísticos, carregados de significado político e religioso. A incerteza sobre se Tutancâmon chegou a usá-las em vida não diminui seu valor simbólico; na verdade, sugere que sua função primordial poderia ser a de assegurar a continuidade de seu poder e proteção no além, garantindo que ele “pisasse” sobre seus inimigos para toda a eternidade, mesmo em seu descanso final.

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