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Remake ou história real: Dona Beja, a nova novela do streaming

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Remake ou história real: Dona Beja, a nova novela do streaming

Quarenta anos depois do lançamento de Dona Beija, novela da Rede Manchete que revolucionou o gênero no país, a HBO Max resgata a história situada no Brasil Império em Dona Beja, a segunda novela do serviço de streaming, que estreia nesta segunda-feira (2/2).

Grazi Massafera é responsável por comandar a trama e assumir o papel que marcou a carreira de Maitê Proença. A personagem resgata a sensualidade que a tornou um símbolo nacional durante os anos 1980, mas com uma releitura que a atualiza para os dias de hoje.

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Pesquisas do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG) e da Fundação Cultural Calmon Barreto confirmam que, assim como na trama de ambas as novelas, de fato existiu uma Ana Jacinta de São José, conhecida pelo apelido de Dona Beja, que viveu em Araxá (MG) no século XIX e que desafiou a sociedade da época.

Muito do que conhecemos da figura mitológica de Dona Beja, no entanto, são por sua vez baseado em outras obras de ficção, como os romances históricos A Vida em Flor de Dona Beja (1957), de Agripa Vasconcelos; e Dona Beja: A Feiticeira do Araxá (1979), de Thomas Othon Leonardos.

“A personagem Ana Jacinta ultrapassou a ficção e se tornou figura do imaginário popular, alimentando debates sobre moralidade, sexualidade e poder feminino”, avalia o professor de cinema e audiovisual Luiz Fernando da Silva Jr., da ESPM.

“Hoje, a nova versão da HBO Max revisita esse legado sob outra perspectiva: a personagem deixa de ser apenas mito erótico e passa a ser figura histórica complexa, marcada pela violência, pela exclusão e pela construção de poder dentro de uma sociedade patriarcal. A nova versão não abandona o legado da original da Rede Manchete, mas o ressignifica, transformando um ícone erótico dos anos 1980 em uma figura histórica complexa, capaz de dialogar com o público contemporâneo”, acrescenta.

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Grazi Massafera em Dona Beja, nova novela do HBO Max

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Cena de Dona Beja, nova novela do HBO Max

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Cena de Dona Beja, nova novela do HBO Max

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Grazi Massafera em Dona Beja, nova novela do HBO Max

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Atualizar a história de Dona Beja, considerando tanto a parte histórica quanto narrativa da personagem, foi uma das principais preocupações dos autores do remake da HBO Max, Daniel Berlinsky e António Barreira. O objetivo, segundo eles, foi de não apenas recontar a história da novela da Rede Manchete, mas fazer uma releitura que respeitasse a história real e mostrasse o que é “ser uma mulher à frente do seu tempo hoje”.

“O que se sabe de verdade sobre ela cabe em meia página”, destacou Berlinsky em uma coletiva de imprensa sobre o lançamento da novela. “Ela era uma mulher solteira, com duas filhas, que se sustentava sozinha. Só isso já bastava para virar escândalo. Nada ali diz que ela era cortesã ou mulher da vida”, explica.

O quê é real na história da Dona Beja?

Assim como nas adaptações para as telinhas, Ana Jacinta, a Dona Beja, de fato foi sequestrada pelo ouvidor do rei e abandonada à própria sorte dois anos depois. Desamparada e taxada como uma mulher impura e indecente pelos moradores da cidade imperial mineira.

Grazi Massafera em Dona Beja, nova novela do HBO Max

Sob a reputação indigna, ela ergueu a a Chácara da Beja, que ganhou fama como a Chácara do Jatobá, a mais desejada casa de prazeres do Império. O local serviu de ponto de encontro de membros da elite social e intelectuais liberais da época. E também foi onde Beja reencontrou o antigo noivo Manoel Fernando Sampaio, o primeiro par romântico da protagonista na trama.

Os demais acontecimentos, no entanto, encontram-se misturados entre registros históricos imprecisos, marcados pelo fascínio popular. Assim, como os registros que temos hoje, como contextualiza o historiador Alexandre Gama, não são suficientes para precisar com certeza o que é a história real de Anna Jacinta; e o que são relatos ficcionais da sedutora Dona Beja.

“A personalidade ousada de Ana Jacinta e o comportamento altivo para a época fez com que ela caísse nas graças do povo e dos romancistas da época”, explica. Esta falta de exatidão, no entanto, não diminuiu a importância da figura histórica que foi a personagem, muito menos o valor das novas adaptações da história.

“Uma obra de ficção se beneficia ainda mais de uma personagem cujo amparo documental se encontra perdido, desconhecido ou mesmo inexistente. A liberdade criativa se torna maior e os críticos, possivelmente, menos exigentes”, avalia o historiador.

A nova novela do HBO Max vai vingar?

A partir desta segunda-feira (2/2), a HBO Max adota o mesmo modelo de Beleza Fatal que revolucionou o gênero das novelas em 2025. Ao todo, a trama será intensa e dividida em 40 capítulos, lançados cinco de cada vez semanalmente.

Lola (Camila Pitanga) e Dona Beja (Grazi Massafera)

A produção representa mais uma grande aposta do serviço de streaming, que agora busca repetir a fórmula da novela de Raphael Montes, desta vez com a tarefa de consolidar o modelo que já agradou ao público brasileiro apaixonado pelo gênero.

“Ao apostar em Dona Beja, a HBO Max está fazendo exatamente isso: recuperando um título forte, reconhecível e carregado de memória afetiva, mas reposicionado com linguagem contemporânea”, analisa o professor Luiz Fernando da Silva Jr. “O sucesso anterior da estratégia demonstrou que a novela pode funcionar como ponte entre dois ecossistemas — o streaming e a TV aberta – e Dona Beja, por ser um título carregado de memória afetiva, tende a potencializar esse efeito”, acrescenta.

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