Raparigou ou não raparigou? A pergunta feita por Alexandre (Carlos Francisco) ao genro, Marcelo (Wagner Moura), se tornou um dos momentos mais marcantes, e divertidos, de O Agente Secreto, longa dirigido por Kleber Mendonça Filho. O questionamento ultrapassou as telas, viralizou entre o público e acabou ganhando novos ecos, inclusive no cenário musical.
Foi a partir dessa provocação que os cantores e compositores pernambucanos Juliano Holanda e PC Silva criaram Raparigou. O frevo é uma homenagem ao longa e reúne referências diretas ao filme e elementos marcantes da cultura do Recife, como a lenda da Perna Cabeluda, o tubarão e o tradicional bloco da Pitombeira dos Quatro Cantos, além de citar Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho.
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Wagner Moura em cena do filme O Agente Secreto
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Tânia Maria, atriz de O Agente Secreto
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Wagner Moura em O Agente Secreto
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Cena de Wagner Moura no filme O Agente Secreto
Victor Jucá/Divulgação
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Wagner Moura e Tânia Maria em O Agente Secreto
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“É um frevo que tem essa vontade de dialogar com o audiovisual e também de unificar as expressões artísticas de Pernambuco. O cinema está em alta e é uma linguagem que a gente curte, então achamos que era uma boa ideia. Ainda mais sendo frevo, que tem essa característica de unir as pessoas, de ter um refrão que cole e que a galera cante junto”, disse Juliano Holanda ao Metrópoles.
A dupla também aproveitou a visibilidade que O Agente Secreto conferiu à capital pernambucana para explorar um desejo antigo. “A música também fala sobre o Recife, sobre a cidade. Às vezes a gente se pergunta se vale a pena fazer algo que soe como piada interna, mas como O Agente Secreto abriu essa frente, a gente se sentiu super à vontade. O filme está em alta, todo mundo viu as referências, se falou muito sobre os temas, sobre a Perna Cabeluda, o Cinema São Luiz e outras coisas da cidade”, ressaltou PC Silva.
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Diálogo com o Carnaval
Outro ponto central na criação de Raparigou é a proximidade do Carnaval. A dupla conta que, há três anos, aposta no que define como “frevos de crônica”, composições inspiradas em temas em evidência ou em acontecimentos do cotidiano.
“A gente espera acontecer algum fato mais próximo do Carnaval para poder dialogar com ele. [Isso é~] algo que era muito comum antigamente, quando os frevos falavam sobre acontecimentos do cotidiano”, explicou Juliano Holanda.
Em 2025, os cantores pernambucanos lançaram The Oscar Goes To, música que fazia referência à ida do Brasil ao Oscar com o filme Ainda Estou Aqui. No entanto, em Raparigou, a proposta ganhou um toque extra de irreverência. Segundo eles, trata-se também de um “frevo-spoiler”, por falar de um dos pontos altos do filme.
“[É o momento] que deixa em aberto se o personagem Marcelo, vivido por Wagner Moura, raparigou ou não”, reforçou PC Silva.
Ouça Raparigou:

