A morte da professora de Direito Juliana Santiago, ocorrida na sexta-feira (6), dentro de uma instituição de ensino superior em Porto Velho (RO), está sendo investigada pela polícia como possível feminicídio. A docente foi ferida durante um ataque dentro de sala de aula no Centro Universitário Aparício Carvalho (Fimca), faculdade privada da capital.
De acordo com as primeiras informações, a agressão teria sido cometida por um aluno da instituição, o que gerou comoção entre estudantes, professores e funcionários. Equipes de socorro foram acionadas.
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Crime e suspeito preso
Relatos de testemunhas indicam que o ataque ocorreu logo após o término da aula, dentro do campus universitário em Porto Velho. O suspeito, identificado como João Cândido da Costa Junior, de 24 anos, estudante do 5º período de Direito, teria esperado a professora permanecer sozinha para iniciar uma discussão que terminou em agressão com faca.
A docente foi ferida em diferentes partes do corpo, incluindo a região do tórax e um dos braços. Ela recebeu ajuda de alunos e foi levada com urgência ao Hospital João Paulo II, mas não resistiu aos ferimentos.
Depois do ataque, o estudante tentou deixar o local, porém foi imobilizado por um aluno que é policial militar. Registros feitos por pessoas que estavam na instituição mostram o momento em que o suspeito é contido até a chegada das autoridades.
Suspeito passou por audiência de custódia
A prisão do estudante de Direito foi transformada em preventiva pela Justiça de Rondônia após audiência de custódia realizada neste sábado (7). O jovem, de 24 anos, é investigado pelo ataque a facadas ocorrido dentro de uma faculdade particular em Porto Velho.
De acordo com o Tribunal de Justiça de Rondônia, o investigado deve ser transferido ao sistema prisional ainda neste fim de semana. Ele havia sido detido em flagrante logo depois do crime, registrado na noite de sexta-feira (6).
Instituição publica nota de pesar
Após o assassinato de uma professora dentro do campus, o Centro Universitário Aparício Carvalho (Fimca), em Porto Velho, decidiu interromper as atividades letivas por três dias. A paralisação começou no sábado (7) e segue até segunda-feira (9), conforme comunicado divulgado nos canais oficiais da instituição.

Nota de pesar da faculdade (Reprodução/Redes Sociais)
Em manifestação pública, o Grupo Aparício Carvalho expressou pesar pela morte da docente e prestou solidariedade aos familiares, amigos e integrantes da comunidade acadêmica. A instituição também indicou que novas informações sobre o retorno das aulas serão repassadas pelos meios oficiais.
“A violência que silenciou sua voz não apagará seu legado. Sua trajetória e compromisso com a formação jurídica permanecerão como referência de excelência acadêmica, ética e dignidade. Nos solidarizamos com todos os que sofrem esta dor imensurável e reafirmamos que a educação jamais será vencida pela violência”, diz um trecho da nota.
Polícia aponta motivação ligada à rejeição
A Polícia Civil de Rondônia informou, em coletiva nesta segunda-feira (9), que a principal hipótese para o assassinato da professora Juliana Santiago, é que o crime tenha sido motivado por rejeição.
No momento da detenção, o estudante afirmou que teria vivido um relacionamento com a professora e que ficou abalado após perceber um distanciamento. Essa versão, porém, foi descartada pelos investigadores após análise de mensagens trocadas entre os dois.
Segundo a delegada Leisaloma Carvalho, as conversas indicam que o interesse partia do aluno e que a professora deixou claro que não manteria envolvimento amoroso com um estudante. Registros mostram ainda que ele demonstrou incômodo ao ver publicações de Juliana ao lado do namorado.
As apurações apontam que o suspeito aguardou um momento em que a professora estivesse sozinha para cometer o ataque. A faca usada foi recolhida no local, e a polícia avalia a possibilidade de o ato ter sido planejado.
O estudante permanece detido na Casa de Detenção José Mario Alves da Silva, conhecida como “Urso Branco”. O inquérito continua para esclarecer todos os detalhes e a motivação do crime.
Saiba quem era Juliana
Juliana Santiago, de 41 anos, conciliava a carreira na segurança pública com a docência no ensino superior. Escrivã da Polícia Civil, ela também lecionava Direito Penal em uma faculdade particular de Porto Velho, onde era conhecida pelo envolvimento com os estudantes.
Alunos relatam que a professora tinha perfil próximo e incentivador, valorizando estratégias para tornar o conteúdo mais acessível. Entre as práticas adotadas estavam atividades participativas, como jogos de perguntas, apresentações em grupo e dinâmicas em sala para estimular o aprendizado.
Dias antes de sua morte, Juliana havia comentado com a turma que pretendia fazer de sua disciplina um destaque na rotina acadêmica. Em uma das aulas, promoveu um quiz e presenteou com chocolates os alunos que tiveram melhor desempenho.
Colegas e estudantes também lembram da religiosidade da docente e de sua postura de apoio, frequentemente motivando a turma a seguir nos estudos e na carreira jurídica. As homenagens ressaltam o legado deixado por ela na formação dos alunos e no convívio acadêmico.
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