A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) identificou um adolescente como pivô de uma fraude que tentou criar mandados de prisão falsos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O caso é investigado no âmbito da operação Lex Data, deflagrada na manhã desta quinta-feira (5).
De acordo com a corporação, houve tentativa de manipulação de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Poder Judiciário de Goiás, com a inserção de documentos forjados que simulavam decisões judiciais.
Como funcionava a fraude
As investigações apontam que criminosos alteraram dados no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) e em processos digitais do Projudi/TJGO, substituindo informações legítimas por dados vinculados às autoridades. Em meio às alterações, chegaram a ser inseridos os CPFs de Lula e de Moraes.
Apesar da gravidade da ação, o CNJ confirmou que os mandados de prisão falsos não chegaram a ser emitidos. As irregularidades foram detectadas a tempo, impedindo a conclusão da fraude.
Uso indevido de credenciais
Segundo a PCDF, não houve invasão direta aos sistemas. O esquema funcionava por meio do uso indevido de credenciais de servidores públicos, o que permitiu consultas irregulares, cumprimento ilícito de mandados no sistema judicial e a tentativa de emissão forjada de ordens de prisão.
Levantamentos técnicos indicam que terceiros passaram a utilizar, de forma criminosa, senhas funcionais de servidores, comprometendo informações sensíveis e a regularidade do funcionamento do sistema de Justiça.
Operação Lex Data
A operação ocorre com o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão em Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e Santa Catarina, com apoio das Polícias Civis locais. A ação é conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), em conjunto com o Núcleo de Segurança Institucional do Tribunal de Justiça de Goiás.
Segundo a polícia, o adolescente suspeito já havia sido identificado pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos em julho de 2025, em apuração anterior.
Posicionamento do Judiciário
Em nota, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal informou que, após tomar conhecimento da subtração e do uso indevido de credenciais digitais de duas servidoras, determinou a instauração de investigação preliminar.
A apuração, conduzida pela Divisão de Inteligência Institucional do TJGO, identificou indícios de acessos não autorizados, criação de processos fictícios e inserção de dados falsos nos sistemas judiciais. As informações foram formalizadas em relatório e encaminhadas às autoridades policiais, permitindo o avanço das investigações.
O TJGO informou ainda que atua de forma integrada com o CNJ, outros tribunais e forças de segurança.
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