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PL prioriza projeto para limitar sigilos públicos na Câmara em 2026

Após votar redução de penas do 8 de janeiro, PL articula projeto para limitar sigilos e alterar regras da LAI.
Após votar redução de penas do 8 de janeiro, PL articula projeto para limitar sigilos e alterar regras da LAI/ Foto: Reprodução
Depois de apoiar, em 2025, o projeto que reduz a pena de condenados pelos atos de 8 de janeiro, o Partido Liberal definiu uma nova prioridade para 2026, ano eleitoral: votar na Câmara uma proposta que limita o sigilo de dados públicos.

A articulação é liderada por integrantes da cúpula da sigla, entre eles o deputado Sóstenes Cavalcante, líder da bancada na Casa. A avaliação interna é de que a mudança nas regras pode tensionar o debate político em torno da transparência durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo apuração, o partido já comunicou ao presidente da Câmara, Hugo Motta, a intenção de pautar um projeto apresentado pelo Partido Novo que altera dispositivos da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Após votar redução de penas do 8 de janeiro, PL articula projeto para limitar sigilos e alterar regras da LAI/ Foto: Reprodução

A proposta é de autoria do deputado Marcel Van Hattem e prevê a proibição de sigilo sobre despesas públicas individualizadas custeadas com recursos públicos, exceto em situações que envolvam risco à segurança. O texto também autoriza o compartilhamento de informações classificadas com o Congresso, mediante requerimento de comissões ou da Mesa Diretora da Câmara e do Senado.

Nos bastidores, lideranças do PL avaliam que a eventual aprovação do projeto pode ter impacto político direto na disputa presidencial, ao recolocar no centro do debate a discussão sobre sigilos adotados por diferentes governos. O próprio Lula criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro por decretos de confidencialidade, como no caso do cartão de vacinação.

No início do terceiro mandato de Lula, a Controladoria-Geral da União estabeleceu novas regras para aplicação da LAI, com o objetivo de restringir o uso do chamado “sigilo de 100 anos”. Reportagens apontaram ainda restrições de acesso a milhões de documentos relacionados a acordos firmados com estados, municípios e organizações não governamentais.

A proposta deve entrar no radar das negociações políticas ao longo de 2026, em meio ao calendário eleitoral e às disputas entre governo e oposição no Congresso Nacional.

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