Piscina onde professora morreu causava problemas respiratórios em crianças desde 2024, dizem mães

Relatos de responsáveis por alunos da academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, na Zona Leste de São Paulo, indicam que a piscina do local já vinha sendo alvo de queixas desde abril de 2024 por possível uso excessivo de produtos químicos na água. A unidade é a mesma onde uma professora morreu após utilizar a piscina no último fim de semana, caso que chamou a atenção para as condições do espaço.

Fabiana Borges, mãe de uma ex-aluna, afirma que procurou a administração da academia para registrar reclamação depois que a filha apresentou fortes crises de tosse após aulas de natação. Segundo ela, os sintomas se repetiram em outras ocasiões.

“Foram várias [crises] e, mesmo após tomar banho, ela ficava com cheiro de cloro no corpo. Teve um episódio que ela veio, entrou na piscina e – quando saiu – o maiô dela tava totalmente desbotado”, disse Fabiana.

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Outro relato

Ionice Lucindo, mãe de um menino que frequentava as aulas de natação, afirma que precisou interromper as atividades do filho após o agravamento de problemas respiratórios durante o período em que ele utilizava a piscina.

Segundo ela, a criança apresentava episódios frequentes de tosse intensa e mal-estar, o que gerou preocupação e questionamentos à equipe sobre os produtos usados no tratamento da água. Ionice descreve que o odor na área da piscina era bastante forte e que decidiu retirar o filho das aulas para priorizar a saúde dele e buscar atendimento médico.

Fabiana Borges, também optou por cancelar as aulas da filha. De acordo com ela, a administração da academia informou por e-mail que a desinfecção da piscina era feita com ozônio e baixa dosagem de cloro. Os relatos aumentam a discussão sobre controle químico e manutenção de piscinas em ambientes fechados, tema que pode ser alvo de apuração por órgãos responsáveis.

Nota da academia

A defesa da academia optou por não conceder entrevista gravada. Em posicionamento oficial, a C4 Gym manifestou pesar pelo episódio e informou que prestou assistência imediata às pessoas que estavam no local. Em nota, a empresa declarou que mantém contato com os envolvidos e que está oferecendo suporte aos afetados.

“Estamos conduzindo uma rigorosa apuração interna e também colaborando com as autoridades competentes e com a investigação. Reforçamos nosso compromisso com a transparência junto aos nossos clientes, colaboradores, parceiros e autoridades”, disse a empresa.

Ainda segundo o comunicado, a C4 Gym afirma realizar uma apuração interna detalhada e colaborar com os órgãos responsáveis pela investigação. A empresa destacou que pretende agir com transparência na comunicação com clientes, funcionários, parceiros e autoridades enquanto o caso é analisado.

Professora morreu após nadar na piscina

Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após passar mal depois de utilizar a piscina de uma academia na Zona Leste de São Paulo. A jovem trabalhava como professora em uma escola particular no bairro Cidade Líder e frequentava aulas de natação na C4 Gym ao lado do marido, Vinicius de Oliveira, há cerca de 11 meses.

A professora Juliana Faustino Bassetto (Reprodução/Redes Sociais)

As investigações iniciais apontam que a causa da morte pode estar relacionada à inalação de substâncias químicas usadas no tratamento da água da piscina. De acordo com a polícia, no local foi encontrado um recipiente com aproximadamente 20 litros de uma combinação de produtos de limpeza, que será analisada pela perícia.

O caso segue sob apuração para esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se houve falha no manuseio ou na dosagem de produtos químicos na manutenção da piscina. A conclusão dos laudos técnicos deve indicar o que provocou a intoxicação e orientar possíveis responsabilizações.

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